O capitalismo sustenta o socialismo

Primeiro, a notícia:

Erenice Guerra é fiel a Dilma e filiada ao PT

31/03/2008
Fonte : O GLOBO

Assessora é considerada o braço-direito da ministra na Casa Civil e participa dos conselhos da Petrobras e da Chesf

Principal auxiliar da ministra Dilma Rousseff, a secretária executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, é uma antiga militante do PT, partido ao qual está filiada desde 1981. Advogada, trabalhou no governo Cristovam Buarque no Distrito Federal e na assessoria da bancada do PT na Câmara, e se juntou à equipe de Dilma em 2002, no governo de transição, no qual atuou na área de infra-estrutura.

Seguiu a ministra desde o primeiro mandado de Lula: foi consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia e agora está na Casa Civil. Erenice, uma brasiliense de 49 anos completados em 15 de fevereiro, foi nomeada secretária executiva em 27 de junho de 2005, em plena crise do mensalão. Desde então, é responsável pela administração da Casa Civil e substitui oficialmente a ministra, inclusive em eventos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No PT do Distrito Federal, Erenice é considerada uma militante discreta, que não entra em disputas políticas, não participa da cúpula nem de qualquer das tantas tendências do partido. No Palácio do Planalto, porém, é conhecida pelo gosto às vezes extravagante: costuma usar chapéus e boinas até em eventos com Lula.

Também é reconhecida por seu poder. Conseguiu nomear seu irmão Antônio Eudacy Alves Carvalho para um cargo na Infraero. Ele foi lotado em Brasília e, depois, transferido para Salvador, mas foi demitido em 15 de agosto de 2007 pelo atual presidente da empresa, Sérgio Gaudenzi, após reportagem do GLOBO sobre o cabide de empregos em que a Infraero se transformara.

Além da Secretaria Executiva da Casa Civil, com salário de cerca de R$ 10 mil, Erenice participa do Conselho Fiscal da Petrobras e do conselho da Chesf. Os extras por essas participações em conselhos podem render quase um outro salário, dependendo do número de reuniões.

Em dezembro de 2006, ela foi condecorada com a Medalha do Mérito Mauá, concedida pelo Ministério dos Transportes para pessoas com relevantes serviços prestados ao setor. Ex-funcionária da Eletronorte, onde trabalhou de 1981 a 1994, Erenice se aproximou da cúpula petista no governo Cristovam Buarque, de 1995 a 1999. Ela trabalhou na Secretaria de Segurança e na Consultoria Jurídica do DF com Roberto Aguiar. Em 2001, entrou na assessoria técnica da liderança do PT, após ter o currículo aprovado.

O líder do PT na época, deputado Walter Pinheiro (BA), lembra-se de ter feito a entrevista com Erenice e afirma que ela foi chamada graças à sua experiência como advogada na administração pública. Com 13 anos de experiência na Eletronorte, passou a cuidar dos projetos de infra-estrutura na Câmara. Em 2002, foi escalada pela liderança do PT para trabalhar na transição de governo, exatamente na área coordenada por Dilma, criando uma relação de confiança com a ministra.

Erenice já substituiu Dilma em eventos no Planalto

Em 2007, participou, como ministra interina, de dois eventos no Planalto comandados por Lula: do lançamento da Política Nacional do Desenvolvimento Regional, em 22 de fevereiro e, em novembro, da cerimônia de anúncio do Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional. O presidente Lula até se dirigiu a ela — que estava na primeira fila, ao lado do ministro da Justiça, Tarso Genro — em seu discurso.

— Por isso, nós adotamos agora uma coisa chamada “toyotismo” (sistema de gestão), não é, Erenice? Ou seja, tentar tomar as decisões, colocando todas as pessoas envolvidas naquele assunto, para que a decisão seja tomada numa mesa, com todo mundo dizendo sim ou não — disse Lula, naquele dia.

Fonte: http://www.eletrosul.gov.br/gdi/gdi/index.php?pg=cl_abre&cd=gjoZbd10BXcgg

Mais uma “socialista do PT” (que é um tipo de socialista diferente dos socialistas, pois os “socialistas do PT” são incrivelmente bem remunerados pelo capitalismo) mamando nas tetas dos otários contribuintes – mesmo aqueles que não elegeram os incomPTentes…….

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Proibido estudar

A notícia é da Folha de São Paulo de ontem:

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe alunos de fazer, ao mesmo tempo, dois cursos de graduação em faculdades públicas diferentes ou de fazer dois cursos na mesma instituição. A redação final do projeto foi aprovada ontem. Ele segue para o Senado e, se aprovado, para sanção do presidente da República. A restrição não vale para alunos que já estão matriculados em dois cursos.
A ideia por trás do projeto é que há poucas vagas no ensino público superior e seria injusto que um mesmo aluno ocupasse duas vagas. “Tem gente que, além de ter o privilégio de estar na universidade pública, toma conta de duas vagas”, diz o autor da proposta, deputado Maurício Rands (PT-PE).
Segundo o texto, ao constatar que o aluno está matriculado em outra faculdade pública, a instituição deve dar cinco dias para que ele escolha em qual dos cursos quer ficar. Se não se manifestar, a matrícula mais antiga será cancelada. Se a duplicidade for detectada na mesma instituição e o aluno não se posicionar, é a mais recente que deve ser cancelada.

Claro que não me surpreende que uma proposta ridícula como esta venha de um deputado do PT.

Aliás, é a coisa mais natural do mundo.

Essa corja nunca foi favorável à meritocracia, preferindo sempre alocar os “cumpanheiros amigos” nas tetas do governo.

O IMBECIL que propôs esta IMBECILIDADE ainda tem a IMBECILIDADE de fazer uma declaração como “Tem gente que, além de ter o privilégio de estar na universidade pública, toma conta de duas vagas”.

Não, deputado IMBECIL: não se trata de privilégio, mas de MÉRITO.

A corja de boçais do PT sempre prefere o privilégio, mas tem ojeriza ao mérito.

A sina de canalhice da PTralhada

Que os PTralhas são uns canalhas, falsos e hipócritas, não é novidade nenhuma.

Porém, quando juntamos algumas coisinhas aqui e acolá, é realmente gritante o grau de cinismo dessa cambada de boçais.

Peguemos, por exemplo, Maria Victória Benevides.

Eis a descrição que foi feita dela em 1998:

Maria Victoria Benevides é uma das mais importantes cientistas políticas brasileiras e uma petista de primeira hora. Empreendeu sistemático estudo da nossa vida política no período entre 1945 e 1964, que resultou em três obras originais: O governo Kubitschek, A UDN e o udenismo e o PTB e o trabalhismo. Foi também uma das pioneiras no estudo da questão dos direitos humanos no Brasil. Violência, povo e política, primeiro fruto deste trabalho, é de 1983.
Professora da Faculdade de Educação da USP, Maria Victoria apresentou como tese de livre-docência uma importante reflexão teórica sobre os limites da democracia representativa, A cidadania ativa.
No últimos anos suas preocupações têm se concentrado em torno da educação para a cidadania. Daí resultaram não só artigos e ensaios sobre o tema, mas também sua participação, juntamente com o professor Fabio Konder Comparato, na criação e direção da Escola de Governo.

Contudo, na recente entrevista que ela deu à Folha de São Paulo (na íntegra aqui, restrita a assinantes), a Folha, muito boazinha e condescendente com a PTralhada, esqueceu de mencionar que a “intelectual” (acho o fim da picada usar este termo para fazer referência a qualquer PTralha, uma vez que é condição sine qua non ter QI de ameba em coma para dizer-se “petista”, mas vamos adiante…) é “petista de primeira hora”.

De qualquer forma, na entrevista, a tal criatura dá a descarga na sua suposta “intelectualidade”, aos dizer asneiras desse calibre:

E a própria Marta é vítima de muito preconceito e muita rejeição. Dela ficou o quê? O que ficou de lembrança da Marta? O “Martaxa”. A prova é que ela bateu muito contra isso. O problema é que a memória da imensa maioria dos eleitores, os mais pobres e os menos politizados, é mais curta. Marta devia ter um nível de aprovação altíssimo por causa dos CEUs, mas os CEUs foram apropriados pelos outros: ninguém diz que vai abandonar os CEUs. Deixou de ser algo exclusivo do PT. E a rejeição a Marta é muito forte porque juntou a rejeição ao PT, que piorou muito em razão do que aconteceu, à rejeição a Marta, que é grande por ela ser a Marta: ela agrega rejeição por ignorância, por preconceito, pelo grupo dela no PT.

Vários dirigentes desta horda de boçais chamada PT já vieram a público atribuir a derrota da dona MarTAXA a um suposto “preconceito”; chegou-se a afirmar, categoricamente, que o eleitor paulistano é “conservador, de direita”.

Quanta conveniência dessa cambada de imbecis !!!!!

Quando a Erundina foi eleita, pelo próprio PT, São Paulo teve um “surto” de modernidade ?!

Quando dona MarTAXA foi eleita, novamente, o eleitor deixou de ser preconceituoso ?!

Coincidência das conivências: sempre que o eleitor paulistano deixa de eleger alguém do PT, automaticamente é chamado de “preconceituoso, conservador, direitista, udenista” ou qualquer outra merda congênere.

Em suma: segundo a torpe ótica dessa gentalha escrota do PT, o eleitor só é inteligente quando elege alguém do PT ?!

Em quaisquer outras circunstância, se o PT perde, a culpa é do eleitor – claro! – que é burrinho, ingênuo, preconceituoso, se deixou enganar etc….

Se a memória do eleitor fosse tão fraquinha como afirmou Maria Victória Benevides, dona MarTAXA teria sido eleita em 2004 e/ou em 2008. Mas, ao contrário, a memória do paulistano não é fraca – nós lembramos do desastre que foi a passagem da dona MarTAXA pela prefeitura.

Por isso, ela foi reprovada DUAS vezes, e perdeu a eleição.

DUAS VEZES.

Mas retomando as baboseiras de Maria Victória Benevides, reproduzo algumas das cartas publicadas na própria Folha, de leitores indignados, como eu, com o espaço dado a esta intelectual de bosta – aliás, é o único tipo que preenche os quadros do PT:

“Causaram-me espécie as declarações da cientista política Maria Victória Benevides quando aduziu que Kassab foi fabricado por Serra: “Quem era o Kassab antes do Serra? Eu mesma nunca tinha ouvido falar dele”.
Ela pode nunca ter ouvido falar de Kassab, todavia, os eleitores de Kassab certamente acompanharam a sua brilhante carreira política, tanto é que ele foi vereador na capital, deputado estadual e deputado federal. E não se pode compará-lo aos políticos que teriam sido fabricados pelos caciques. A vida política de Kassab já existia muito antes da descoberta da nobre cientista.”
NELI APARECIDA DE FARIA (São Paulo, SP)

“”Brilhante” a posição da cientista política Maria Victória Benevides: “a classe média é a culpada pela derrota da Marta”. O único problema é o ressentimento típico da esquerda com aqueles que a derrotam.
Doutora Benevides, a classe média não corresponde a 62% do eleitorado paulistano.”
EGBERTO RODRIGUES (São Paulo, SP)

“A sra. Maria Victoria Benevides parece estar pedagogicamente, e pelo visto mentalmente, desqualificada para o exercício de sua profissão. Como uma professora titular/cientista política pode afirmar que Gilberto Kassab é um político fabricado, tendo este sido eleito vereador, deputado estadual, deputado federal (por duas vezes), foi secretário municipal, vice-prefeito e agora eleito prefeito? O mínimo que esta senhora poderia fazer é pedir desculpas, ficar quietinha e parar de dar palpites inoportunos.”
GUILHERME COTAIT (São Paulo, SP)

Uma “cientista política” paulistana, professora da USP, dizer numa entrevista a um jornal de grande circulação que nunca ouvira falar do Kassab ?! Aonde esta senhora estava com a cabeça ??????????

Mas, como de costume, sempre tem um PTralha para aplaudir os “intelectuais” do seu partidinho:

“Excelente, primorosa, louvável…. entre muitos outros adjetivos a entrevista da cientista política Maria Victoria Benevides. A Folha foi muito feliz em entrevistar uma profissional com uma visão clara do cenário político do Brasil, em particular de São Paulo. Ela explicitou os pontos favoráveis e desfavoráveis prefeito eleito Gilberto Kassab e da candidata derrota Marta Suplicy. Foi maravilhoso ler as explicações coerentes e contextualizadas. Faço votos de que todos os políticos leiam e analisem, e recomendo que os professores, principalmente do ensino médio, utilizem a matéria como objeto de estudo em suas aulas. Com certeza os alunos terão a oportunidade de ter uma visão critica e imparcial.”
JOSÉ ALBERTO DA SILVA (Diadema, SP)

O termo “imparcial”, em relação à entrevista da Maria victória Benevides, foi um primor. Do exagero de burrice.

IMPARCIAL ???????

Fala sério……..!

Com tantos adjetivos, o José Alberto da Silva (que é de Diadema, nem de São Paulo!) realmente exagerou. Muito. Demasiadamente.

Vamos ver a “imparcialidade” de Maria Victória Benevides ?! Ei-la:

A globalização alimenta esse processo, sobretudo em relação às decisões econômicas e financeiras. Para ficarmos apenas no caso brasileiro, é evidente que hoje o Banco Central tem um papel decisivo em nosso processo político, tomando decisões fundamentais, muitas delas sigilosas e fora do controle do próprio Legislativo. O presidente do BC acaba mandando mais que o presidente da República e seu ministro da Fazenda. No Brasil tudo é pior porque somos um dos primos pobres da globalização. Quem está efetivamente controlando o poder são as grandes empresas transnacionais, que acabam deslocando a chamada “classe política”. É verdade, então, que a política está se elitizando no sentido de que ela se confunde cada vez mais com o poder decisório do grande capital.

[…]

Hoje, por exemplo, vejo parte da velha UDN no governo FHC, através do que era paradoxalmente a ala mais arejada, chamada “bossa nova”, com Antônio Carlos Magalhães e José Sarney. Tivemos, até recentemente, o velho PSD com Tancredo Neves e Ulysses Guimarães. O próprio Fernando Henrique, por ligações e gosto político, é próximo do PSD e da UDN, embora o pai fosse ligado aos militares comunistas. Mas ele é um homem da conciliação, dos acordos, e se aproximou muito do velho PSD, na formação do MDB.

A escolha da UDN como tema do meu doutorado foi mais ou menos automática a partir do trabalho sobre o governo Kubitschek e o PSD. A UDN era o outro lado. Meu interesse por ela veio também por procurar entender que liberais, afinal, eram esses que se intitulavam “da eterna vigilância”. Daí o subtítulo do livro: ambigüidades do liberalismo brasileiro. O partido que nascera contra o Estado Novo, em nome das bandeiras liberais, torna-se vivandeira de quartel, radicalmente antipopular – se dizia antipopulista, mas era acima de tudo antipopular – e encarna a perna civil do golpe. Por que esses liberais, que tinham como alter ego o jornal O Estado de S. Paulo, eram golpistas?

Só um detalhe: esta entrevista é de 1998 (na íntegra, AQUI).

Não dá para saber se ela está falando de FHC ou Lulla, não é mesmo ?!

Afinal, em termos de alianças, quem o Lulla tem a seu lado ?! Renan Calheiros, José Sarney, Romero Jucá………

QUE COINCIDÊNCIA !!!!!!!!

Mais uma vez, o passado assombra a PTralhada: o que eles diziam em 1998, para criticar FHC, permanece atual, e pode ser usado para criticar o Lulla – que, coincidência ou não, integrou-se perfeitamente bem à cartilha “da direita”.

Eric Hobsbawm e Luciano Huck

O artigo é do Nelson Ascher, e foi publicado na Folha em 08/10/2007:

Entre Hobsbawm e Huck

A NENHUM ideário se aplica tão bem a analogia com o tempo verbal chamado futuro do pretérito como ao comunismo, que, sempre dependendo do porvir, pagava os desastres presentes com os cheques pré-datados (e frios) da utopia. Daí que não exista situação mais embaraçosa para um comunista do que a longevidade. Este é o caso do historiador comunista (desculpem o oxímoro) Eric Hobsbawm, cuja entrevista a Sylvia Colombo foi publicada recentemente na Folha.

Filiado ao Partido Comunista britânico desde a juventude, o “historiador” já colocara sua pena servil ao serviço deste em 1940, escrevendo com Raymond Williams um infame panfleto pró-imperialista defendendo a invasão da Finlândia pela URSS. Ele justificava sua escolha como a única possível diante da ameaça nazista. Só que, se era tão antinazista, por que continuou a apoiar os soviéticos entre 39-41, quando estes eram os mais importantes aliados da Alemanha? Por que não abandonou o partido para apoiar o país que estava combatendo o Terceiro Reich, isto é, o seu?

Hobsbawm gosta de repetir que foram antes os intelectuais do bloco soviético, não o povo, que se desencantaram com o comunismo. Se o diz, contudo, é porque, como bom intelectual, passou a vida falando de preferência com outros intelectuais. Caso contrário, saberia que, desde seu estabelecimento, não houve no mundo sistema mais desprezado e odiado por suas vítimas, as pessoas comuns. Mesmo o nazismo foi mais popular, pelo menos entre os alemães e enquanto a guerra lhes parecia favorável.

É fácil entender as razões pelas quais nosso ideólogo abandonou os ares de historiador e preferiu dedicar-se à futurologia, prevendo a queda iminente de um tal de império americano. Está certo ele: nada no passado saiu como imaginara (ou desejara) e, assim, aos 90 anos de idade, é mais seguro discorrer sobre o que não irá testemunhar. Seu problema, contudo, é o seguinte: se não conseguiu antever nem aceitar o desmoronamento, em menos de três gerações, de um império territorial, o soviético, e se tampouco é capaz de compreender que o verdadeiro imperialismo de nossos tempos é o islâmico, por que alguém perderia tempo com ele em seu papel de Cassandra?

Seja como for, um mérito seu deve ser reconhecido. Como velho marxista, ele não manifesta simpatia pelo desvario teocrático-político. Já seus discípulos têm menos escrúpulos e, especialmente no Reino Unido, acreditam que em sua aliança com as lideranças e massas islamizadas está a chave para a revolução antiimperialista.

Se o comunismo foi um dia a aspiração prometéica de transformar o mundo sobre os ossos de cadáveres, hoje em dia ele não passa de um reacionarismo desorientado e rancoroso, cioso de cada detrito de sua mitologia kitsch (como Che Guevara) e sempre acreditando que “quanto pior, melhor”. Isso é o que transparece em reações a um artigo que, a respeito do assalto que sofrera nos Jardins, o apresentador de TV Luciano Huck publicou, na semana passada, na seção “Tendências/Debates”.

O tom das respostas negativas era o de que um brasileiro que não seja “excluído” não tem direito nem aos benefícios da cidadania, nem à proteção das leis nem sequer à solidariedade. Está proibido até de reclamar. Segundo aquelas, caso alguém pertença à “elite”, mesmo que pague impostos e não cometa crimes, tem é que morrer, salvo, talvez, se ingressar no PT. Também quem mandou Huck violar o tabu e afirmar o óbvio, que lugar de bandido é na cadeia? Não cai bem dizer que é graças ao aumento da população carcerária que, nos últimos anos, a criminalidade caiu dois terços em São Paulo.

Há, todavia, um paradoxo que torna ainda mais estranho o contexto dessa história. O que distingue os esquerdistas das pessoas normais e racionais é o fato de que aqueles são avessos à iniciativa privada, achando que tudo deve ser confiado ao grande benfeitor, o Estado. Tudo, sim, com uma exceção: a violência. Quando se trata desta, o Estado (se é de direito e democrático) nunca pode usá-la legitimamente, mas, se forem indivíduos que recorrem a ela, então é permitida e até desejável, sobretudo no caso de bandidos e terroristas. A violência boa, para essa gente, que provavelmente aprova Hobsbawm e desaprova Huck, é a do free-lancer, exceto quando o Estado é revolucionário e perpetra uma violência idem. Execução em massa de opositores políticos, tudo bem; prisão para bandidos, não.

Pois é…….

O pior do Brasil é o Brasileiro (3)

Dando seqüência a posts anteriores (aqui e aqui), o “Painel do Leitor” da folha de São Paulo de ontem (05/07) trouxe mais um pedaço da ignorância que atrasa o Brasil, na forma de palavras:

“As aparências não enganam. A julgar pelo visual da ex-senadora Ingrid Betancourt, ou o acampamento das Farc é um “spa” ou existe armação em torno desse “fantástico” resgate. Pena que as notícias publicadas nos jornais daqui se originem sempre das agências norte-americanas. Tenho dúvidas se isto merece o nome de informação.”
PATRICIA PORTO DA SILVA (Rio de Janeiro, RJ)

A criatura aí estava preocupada com a APARÊNCIA da pessoa que passou 6 anos seqüestrada ??????? É isso mesmo ?????

Deve ser leitora da Caras……

A menção pejorativa às agências noticiosas norte-americanas não esconde o ranço burro-ideológico da autora do petardo de “iguinorânssia“….. Esta dona Patrícia, provavelmente, prefere acreditar na Carta Capital, Agência Brasil de Fato, Granma, site do MST etc…..

Mas se a dona Patrícia acha que “as aparências NÃO enganam”, quero presenteá-la com algumas imagens (que, portanto, NÃO mentem):

O que será que dona Patrícia acha do spa do Alvorada ?????

INTERPOL: golpista ?

Depois de ler a notícia abaixo, já fico imaginando: quanto tempo vai demorar para que estes esquerdistas e PTralhas de bosta começem a acusar a INTERPOL de integrar a “direita-elitista-oligárquica-imperialista” ???

Relatório da Interpol (polícia internacional) divulgado nesta quinta-feira (15) em Bogotá diz que a Colômbia não modificou os arquivos encontrados em computadores do número dois das Farc, Raúl Reyes.

A Colômbia bombardeou um acampamento das Farc em 1º de março deste ano. No ataque, 25 pessoas morreram –inclusive Reyes– e foram apreendidos três computadores, três unidades de memória e dois discos externos supostamente pertencentes às Farc. Nesses computadores, foram encontrados documentos expondo vínculos entre as Farc e os governos venezuelanos e equatorianos, como empréstimos de até R$ 300 milhões à guerrilha e contatos entre funcionários do alto escalão do governo de Rafael Corrêa e as Farc.

Em entrevista a jornalistas estrangeiros nesta quinta-feira, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, classificou de “show” o relatório da Interpol e chamou o secretário-geral da entidade, Ronaldo Noble, de “vagabundo internacional”, informa a Folha (aqui, para assinantes). Chávez ainda disse ter pedido ao seu ministro do Interior (Justiça), Ramón Rodríguez Chacín, uma revisão sobre a filiação da Venezuela à Interpol, sugerindo a criação de uma entidade paralela, com “gente séria”.

A Interpol informou que “ninguém nunca poderá questionar se a Colômbia manipulou essa evidência apreendida”, disse o secretário-geral Ronald Noble, em entrevista coletiva em Bogotá. Noble declarou que estava convencido de que os equipamentos analisados foram apreendidos em um acampamento das Farc. “Vieram de um acampamento terrorista das Farc, portanto pertenciam à organização e aos membros dessa organização.”

Nessa documentação, Noble insistiu que 64 especialistas de 15 países trabalharam durante mais de cinco mil horas nas oito “provas documentais apreendidas”. Sobre os cerca de 7.900 endereços de e-mail encontrados, ele acrescentou que “devem ser muito importantes para investigações antiterroristas não só na Colômbia mas em outros países”.

O ataque do Exército colombiano em território do Equador, realizado em 1º de março, gerou uma crise diplomática entre os dois países. Equador e Colômbia romperam relações após acusações mútuas de favorecimento ao terrorismo.

A matéria é da folha On-Line, na íntegra aqui. O relatório da INTERPOL que trata desta questão pode ser lido, no original, aqui.

Ora, convenhamos que não é surpresa alguma descobrir-se que Hugo Chávez tem interesse em financiar as FARC, não é ?

Assim como o PT também o faz – sem falar no Foro de São Paulo……

Coincidências, apenas coincidências.

Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (aqui, na íntegra),

Um pouco mais da metade, 51,5%, dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar até o final de 2007 não conseguiram completar o primeiro grau ou apenas lê e escreve. O quadro é ainda mais dramático quando somados os 6,46% de eleitores analfabetos em todo o país.
O Nordeste, sozinho, tem 4,2 milhões de eleitores analfabetos, número maior que a soma de 4 milhões de todas as demais regiões do país.  Enquanto o percentual de eleitores analfabetos é de 3,51% e 3,84% nas regiões Sul e Sudeste, os estados da região Norte e Nordeste registram 8,74% e 12,22% de analfabetos em seu eleitorado. Na região Centro-Oeste, os iletrados somavam 4,76% no final do ano passado.
Apenas 3,43% dos eleitorado têm nível superior completo. Esse índice é de 3,8% e 4,4% nas regiões Sul e Sudeste, mas de apenas 1,73% e 1,79% no Norte e Nordeste. O Centro-Oeste registra 3,64% de eleitores com nível superior.
O nível de escolaridade também confirma a grande disparidade educacional entre as regiões brasileiras e mostra um quadro parecido com o do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medida comparativa de riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros fatores utilizado pela ONU.
No Norte e Nordeste, a baixa escolaridade atinge quase 58% dos votantes. Quando somados com os analfabetos, 70% dos 34,3 milhões de eleitores nordestinos não conseguiram sequer completar o primeiro grau. Ao se alistarem, 26,7% dos nordestinos declararam que lêem e escrevem, enquanto 31,19% disseram que tinham primeiro grau incompleto. No Norte, esse percentual era de 20,47% e 37,05%. No Centro-Oeste, a baixa escolaridade está entre 52% do eleitorado.

Agora, números e estatísticas curiosas:

Em 2006,  58,2 milhões de votos recebidos pelo candidato à reeleição Lulla, ou 60,83% dos votos válidos;

No Nordeste, Lulla teve 77,13% dos votos válidos; no Sul, foram 46,49%; no Sudeste, foram 56,87%; no Norte, 65,59%, e 52,38% no Centro-Oeste (números do TSE, disponíveis aqui).

Coincidentemente, Lulla teve percentual maior nas regiões com menor alfabetização e menor IDH.

Alguns farão a leitura de que os “pobres” votaram em peso num candidato que tinha maior apelo junto ao segmento; outros, mencionarão “a zelite”, e dirão que esta “zelite” tenta dar um golpe para abalar a ilibada reputação do governo “popular”. Outros, associarão o menor grau de alfabetização (e conseqüente menor capacidade de acesso e compreensão de informações que poderiam influir na decisão do voto) destas regiões à vitória de um incomPTente.

Particularmente, creio que há um peso a ser atribuído à “massa de manobra”, ou seja, uma volumosa parcela da sociedade de não busca maiores informações para formar sua opinião – e acaba sendo ludibriada por mentiras travestidas de notícias. Para o bem e para o mal.

Mas não é possível dizer que “analfabeto votou no Lulla porque é burro”.

Não acredito nisso. Até porque tem muita gente com diploma que ignora os fatos e cria ilusionismos de baixíssima honestidade intelectual para defender suas posições sectárias – como Marilena Chauí, por exemplo.

Outras pessoas, por mais bem intencionadas que sejam, têm uma lacuna involuntária entre a percepção da realidade, a leitura dos fatos, e as ações práticas. Analfabetismo funcional, talvez ?

Há, claro, as de má-fé, que votam no sujeito visando apenas algum benefício próprio – como um cartão corporativo gratuito, mordomias, cargos com salários estratosféricos, verbas etc……

E sempre haverá quem acredite apenas em coincidências……