Currículo turbinado

Não resisti…..tenho que registrar estas.

Primeiro, o vídeo:

Agora, a coluna da Lúcia Hippolito:

Dilma Rousseff parece ter especial vocação para se deixar envolver em situações esquisitas. Vive cercada de histórias mal contadas, versões retocadas, relatos conflitantes.
No início de 2008, ministros do governo Lula foram apanhados pagando despesas privadas com dinheiro público, através de cartões corporativos. Episódio que ficou conhecido como o “escândalo da tapioca”.

Em 16 de fevereiro daquele ano, jantando com 30 industriais, a ministra Dilma afirmou que “o governo não vai apanhar calado”. E revelou que as contas do governo anterior sofreriam uma devassa.
Dias depois começou a circular o famoso dossiê com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Confrontada com os fatos, Dilma afirmou que se tratava de um banco de dados para organizar as despesas com cartão corporativo, a fim de responder à CPI dos Cartões – que sequer tinha sido instalada.

Mesmo depois da publicação do dossiê, restando provado que tinha sido fabricado na Casa Civil, Dilma continuou jurando de pés juntos que se tratava de um banco de dados.
Ninguém acreditou, mas ela continuou insistindo no conto de fadas.

O segundo episódio que confrontou Dilma Rousseff com a realidade aconteceu recentemente. Foi o caso do currículo falsificado.
Descobriu-se que, na Plataforma Lattes do CNPq, que abriga currículos de professores universitários e pesquisadores de pós-graduação, o currículo de Dilma Rousseff registrava um mestrado e um doutorado em economia. Até o título da tese de mestrado estava lá.
Este currículo estava também estampado nas páginas do Ministério das Minas e Energia e da Casa Civil.

Era falso. Dilma Rousseff não concluiu o mestrado, não defendeu tese. Não concluiu o doutorado. Não defendeu tese.
Confrontada com a realidade, ela reagiu dizendo que não sabia quem tinha invadido a Plataforma Lattes e as páginas do governo para escrever mentiras no seu currículo.
Para inscrever o currículo na Plataforma Lattes é necessário uma senha individual. Tudo bem, um hacker poderia ter invadido as páginas. Invadem até o site do Pentágono!

Mas a ministra Dilma Rousseff compareceu duas vezes ao programa Roda Viva, da TV Cultura, em 2004 e em 2006. O vídeo dos dois programas circula na internet.
Para os que não estão familiarizados com o programa, no início o âncora lê o currículo do convidado. Nos dois o jornalista Paulo Markun lê o currículo falso de Dilma Rousseff.

E ela ouve sem mover um músculo. Impassível. Nem pisca.
Depois de apanhada, mandou retirar das páginas do governo as menções a um mestrado e um doutorado. Falsos.
Mas continua a sustentar a versão de que alguém invadiu as páginas e falsificou seu currículo.

Finalmente – será mesmo que acabou? – Dilma envolveu-se em mais uma confusão de versões desencontradas.
A ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, cuja demissão nunca foi bem explicada, afirmou que foi chamada para uma conversa com a ministra-chefe da Casa Civil. No encontro a ministra lhe pediu que “acelerasse” as investigações sobre a família Sarney.

(Deixemos de lado a estranheza de uma chefe da Casa Civil chamar para uma reunião uma subordinada de outro ministro, sem que seu chefe esteja presente.)

A ex-secretária Lina Vieira entendeu que era para encerrar as investigações. Um processo desses é longo, e acelerar pode muito bem significar “acabar rapidinho”.
Dilma poderia dizer que tinha encontrado a ex-secretária, mas que tinham conversado sobre outros assuntos. Poderia dizer que tinha sido um encontro informal, por isso não estava na agenda de nenhuma das duas.

Isto é comum entre autoridades. Semana passada mesmo, o presidente Lula recebeu, fora da agenda, o senador Fernando Collor.
Mas não, Dilma Rousseff reagiu como Dilma Rousseff: autoritária, peremptória, categórica. Segundo ela, jamais teve uma conversa individual com a ex-secretária da Receita.
Mas Lina Vieira confirmou o encontro, em entrevista ao Jornal Nacional. E citou como testemunhas o motorista da Receita, sua chefe-de-gabinete e, mais importante, a principal assessora de Dilma Rousseff, Erenice Alves Guerra – aliás, envolvida também na elaboração do dossiê com as despesas de Fernando Henrique e Ruth Cardoso.

Diante disso, das duas uma. Ou bem Lina Vieira está mentindo, e Dilma Rousseff está moralmente obrigada a processá-la por danos morais.

Ou bem Lina Vieira está falando a verdade. E neste caso, Dilma Rousseff cometeu crime de prevaricação, quando um agente público toma conhecimento de um ilícito, ou propõe um ilícito e não tenta coibi-lo, para tirar proveito próprio.

E qual seria o proveito próprio? O apoio do PMDB à sua candidatura em 2010.

O agravante no caso da ministra Dilma é que, se Lina Vieira estiver dizendo a verdade, trata-se de interferência direta da ministra numa investigação muito séria, que envolve a Receita Federal e a Polícia Federal.

Dilma Rousseff ambiciona a presidência da República. Tem todo o direito.

Mas tem também o dever de dizer a verdade, esclarecer os fatos, para não entrar numa campanha que é tradicionalmente muito dura — mas o prêmio é alto — como alguém que tem relações cerimoniosas com a verdade.

Senado

Tenho me divertido IMENSAMENTE vendo a cambada do PT (especialmente a Mulla-mor) defendendo o Sarney.

O tempo é o senhor da razão………

A defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), terça-feira, foi um dos momentos mais constrangedores testemunhados por este veterano repórter político, habituado ao cinismo dos políticos por dever de ofício. Por mais distanciamento que o profissional da comunicação seja obrigado a ter das fontes com que se relaciona, seria um excesso de insensibilidade não sentir vergonha ao acompanhar um ancião com um currículo que inclui uma passagem pela presidência da República e duas pelo comando do Senado Federal reunir argumentos pueris e insustentáveis, com voz trêmula e gaguejante, como um colegial despreparado respondendo na prova oral a uma questão sobre tema que não estudou.


O orador atropelou os cânones do comportamento esperado de um senador, palavra portuguesa oriunda do termo latino senior, o mais velho, não no sentido do mais longevo, mas, sim, do mais experiente, do mais vivido, do mais capacitado, em suma. Os antigos romanos se deixavam governar por esses conceitos e, é claro, desde então a definição etimológica sucumbiu aos pecados, vícios e defeitos comuns no gênero humano. Isso explica, mas não justifica, a postura – entre tatibitate e pernóstica – adotada pelo varão, ao se defender da tribuna perante seus pares.


Essa defesa de Sarney não pode ser definida como inconsistente, de vez que ela simplesmente inexistiu. Tendo ouvido em algum lugar que a melhor defesa é o ataque, ele preferiu cobrar de volta a ter de apresentar alguma evidência de sua inocência das acusações que lhe são feitas. Diante da impossibilidade de negar a conexão que obviamente tem com a nomeação do neto, substituído pela mãe deste, num emprego concedido de forma clandestina, entre outras coisas, ele optou por adotar o velho lema do autoritarismo coronelista sertanejo: “Vocês sabem com quem estão falando?” Ou melhor: “Vocês não sabem com quem estão falando”.


Como o menino traquinas, flagrado com as mãos cheias de penas, tentando negar ao pai que matou o passarinho, o velho senador pôs o dedo em riste no nariz de todos os brasileiros perplexos com a farra da cota de passagens, o abuso do auxílio moradia e, principalmente, os atos secretos configurando a existência de um Senado clandestino. E apelou para a própria sorte, como se ela pudesse eximi-lo dos erros que cometeu ou avalizou, ora denunciados. “É injusto cobrarem isso de um homem que fez tanto pelo País” – foi o ponto capital de sua fala. Não permitiu apartes. Evidentemente, nenhum de seus nobres pares teria coragem e discernimento para lhe perguntar o que teria feito de tão relevante e útil para o Brasil para se tornar merecedor da inimputabilidade, que não pode ser dada a cidadão nenhum. Mas a esperteza o impediu de correr esse risco.


Sem as obrigações regimentais nem sociais dos varões da República por ele presididos, venho cobrar aqui: “vá contando aí o que fez pelo País, senador Sarney”. Terá ele arriscado a vida pela pátria nas horas intermináveis do bate-papo cordial nos cafezinhos do parlamento? Consta de sua biografia a passagem pelas masmorras de uma ditadura por ter travado o bom combate da luta pela manifestação livre da cidadania? Terá ele doado sua fortuna pessoal a alguma instituição de benemerência ou mecenato reconhecidos? Sabe-se que Sua Excelência, filho de um modesto juiz de província, acumulou razoável pecúlio e frequentou com assiduidade invejável os banquetes servidos pelos maiorais da República nos regimes a que serviu: a ditadura militar, cujos conceitos representou na condição de presidente do partido serviçal; a Nova República, na qual herdou o poder maior por uma peça pregada pelo destino à Nação, que esperava ver no lugar o titular da esperança, e não seu reserva e beneficiário; e agora a república petista, da qual é insigne servidor, como patrono de causas indefensáveis e paraninfo do gozo pelo gozo do poder.


Não tivesse a sorte, que sempre o bafejou na carreira política, produzido, além da glória, a cegueira para tudo o que não diga respeito a si próprio, a seus parentes, amigos, afilhados e apaniguados, o poeta, romancista e tribuno José Sarney poderia ter dado destino mais digno a sua peroração. Idoso, tendo cruzado o Cabo da Boa Esperança, poderia verbalizá-la, atirando-se temerariamente à luta pela reconstrução das instituições democráticas, desafiadas pela popularidade e pelo despreparo daquele que hoje comanda o seu e os nossos destinos. Teria, com isso, o velho timoneiro, auferido mérito, não para cobrar da Nação seus préstimos de homem público, que são dever e não prerrogativa, mas, sim, para dar a guinada espetacular capaz de salvar sua biografia do naufrágio que a espera, sob a areia movediça e ondas de lama em que o Poder Legislativo, do qual é dignitário, se afunda.


O orador desta terça-feira no Senado, recebido pelos colegas com um silêncio sepulcral, é uma assombração perdida num casarão colonial brasileiro. Mas uma assombração insepulta: no Brasil do “quem cala consente”, seu silêncio cúmplice lhe concede fama, prestígio e poder.

José Nêumanne Pinto

© Diário do Comércio, de São Paulo, sexta-feira 19 de junho 2009, página 6 do primeiro caderno (Política)

Bandidos conhecidos

A notícia não chega a surpreender quem conhece o histórico dessa quadrilha chamada MST:

Procuradoria investiga repasses de R$ 3,5 mi a ONGs ligadas a José Rainha

CRISTIANO MACHADO
colaboração para a Folha Online, em Teodoro Sampaio

O Ministério Público Federal investiga suspeitas de desvio de verba destinada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário a associações de produtores rurais ligadas a José Rainha Jr., principal coordenador de grupos dissidentes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Pontal do Paranapanema (oeste de São Paulo).

Dados do Portal da Transparência, da CGU (Controladoria Geral da União), revelam que, em pouco mais de um ano, essas duas associações de produtores rurais do Pontal receberam R$ 3,5 milhões.

Uma delas, a Associação Amigos, de Teodoro Sampaio (672 km a oeste de SP), foi beneficiada com R$ 2.165.395 para prestar assistência técnica a agricultores no plantio de mamona –matéria-prima para produção de biodiesel– e na construção e reforma de moradia nos assentamentos.

A outra, a Faafop (Federação das Associações de Assentados e Agricultores do Oeste Paulista), criada por Rainha em 2005 em Mirante do Paranapanema (530 km a oeste de SP), recebeu R$ 1.373.598,25 também para produção de mamona.

A liberação do dinheiro para os convênios começou em outubro de 2007, sem contrapartida das associações, e foi intermediada pela Superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em São Paulo. Via assessoria, o Ministério do Desenvolvimento Agrário disse que desconhece as irregularidades, mas afirmou que vai apurar as denúncias.

Alvo de ações e investigação do próprio Ministério Público Federal por desvio de verbas da Cocamp –cooperativa do MST no Pontal em que atuou como diretor na década de 90–, Rainha oficialmente não está na direção das entidades.

Ambas são presididas por José Eduardo Gomes de Moraes, ex-coordenador do MST e um dos principais aliados de Rainha no controle de assentamentos e acampamentos do Pontal. Filiado ao PV, ele é presidente da Câmara Municipal de Teodoro Sampaio, onde foi o vereador o mais votado.

A Folha apurou que a ausência de Rainha na direção das associações é uma maneira de evitar suspeita por conta da série de denúncias contra si. À reportagem Moraes se limitou a negar irregularidades no uso da verba. “A prestação de contas está em dia. Toda vez que lideramos ações para desenvolver o Pontal sofremos esse tipo de perseguição e suspeita”, diz.

Iniciada em dezembro, a investigação feita pela Procuradoria da República em Presidente Prudente (565 km de SP) está na fase de coleta de provas e de documentos.

Segundo a Folha apurou, a principal linha de investigação é o uso, por parte de representantes das associações, de notas fiscais frias na prestação de contas dos gastos dos convênios. As notas, conforme denúncias feitas à Procuradoria, foram obtidas com comerciantes e autônomos da região que, em troca, recebiam gratificações, eram ressarcidos dos custos fiscais e ainda tinham prioridade na realização de serviços para as associações.

Sob a condição do anonimato, um comerciante, um dono de van e o proprietário de ônibus usado no transporte de trabalhadores rurais de Teodoro Sampaio disseram à Folha que cederam notas fiscais frias a pessoas ligadas à Faafop e Associação Amigos.

Um deles, o dono de um ônibus ano 1974 que transporta cortadores de cana-de-açúcar, afirmou ter cedido R$ 70 mil em notas em menos de uma semana para justificar transporte de trabalhadores ao Paraná e a assentamentos do Pontal.

Segundo ele, pelo “favor” deveria receber R$ 10 mil, que ainda não foram pagos. Porém, o motorista disse que “eles demoram, mas sempre pagam”. O dono da van disse que cedeu R$ 6.000 em notas frias. O comerciante não quis falar em valores, mas admitiu empréstimo de “uma dezena de notas”.

DESMARTAMENTO em São Paulo não é crime

DESMARTAR São Paulo é preciso.

Precisamos varrer esta incomPTente tresloucada cínica e hipócrita da nossa cidade. São Paulo não merece a Marta.

A Índia seria um bom destino para ela……

Mas agradeço ao Daniel pela contribuição a seguir.

Afinal, dona MarTAXA vem falando muito sobre o fato do Kassab ser do DEM, ex-PFL. Está na hora de alguém perguntar à dona MarTAXA: QUAL O PROBLEMA DO DEM, AFINAL?

O partido foi pego extorquindo bicheiro?
O partido promoveu o mensalão?
O partido foi pego com dólares na cueca?
O partido foi flagrado com uma mala de dinheiro tentando comprar um dossiê falso para fraudar uma eleição?
O partido usou a Casa Civil para montar um dossiê contra adversários políticos?
O partido promoveu a quebra ilegal do sigilo de um pobre caseiro?
O partido mantinha em Brasília uma casa de prazeres & negócios, onde São Jorge costuma ser exibido de ponta-cabeça?
O partido tem algum figurão cujo filho recebeu R$ 10 milhões de uma empresa  concessionária de serviço público, de quem o BNDES é sócio?
O partido recebeu dólares de Cuba?
O partido recebeu recursos das Farc?
O partido deu a Petrobras de presente para um índio de araque?
O partido endossa os regimes de força da Bolívia, da Venezuela e do Equador?
O partido mudou uma lei só para beneficiar uma empresa gigante da telefonia?
O partido tentou instaurar a censura no país?
O partido puxa o saco de tudo quanto é ditadura no mundo?
O partido deu emprego para a mulher de um narcoterrorista?
O partido apóia uma organização narcoterrorista enquanto trata a pontapés o país que os terroristas ameaçam?

Ironia e ignorância

Dois trechos da coluna do Elio Gaspari de 11/05/08, cuja leitura é DELICIOSA:

Eremildo é um idiota e soube que o BNDES comentou o transbordo de R$ 1,2 milhão para uma ONG da mulher do deputado Paulinho da Força, dizendo que o negócio é “muito velho”. O idiota releu o caso e conferiu: o acerto é de dezembro de 2000, e o primeiro desembolso ocorreu em 2002. Eremildo vai ao BNDES para se inscrever num “negócio velho”. Ele fez a conta e concluiu que receberá algum dinheiro em 2016. Acha que está bom assim.

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Respondendo aos senadores Eduardo Azeredo e Kátia Abreu, que reclamaram do baixo crescimento do PIB brasileiro (5,4%) quando comparado com o de Argentina (8,7%), Índia (9%) e China (11%), a comissária Dilma Rousseff disse o seguinte: “Estamos crescendo com incorporação e decréscimo da desigualdade de renda. Recentemente, saíram várias reportagens, tanto no “Financial Times” como na “Economist”, que reconhecem essa característica do crescimento da economia do Brasil. E mais: elogiam essa característica”.
Tudo bem, mas a ministra Dilma precisa contar a Nosso Guia que ler publicações estrangeiras não desqualifica os mortais. Em outubro de 2006, durante o debate com Geraldo Alckmin, Lula respondeu o seguinte quando o tucano lembrou que, em matéria de crescimento econômico, o Brasil ficara em 27º lugar num ranking da “Economist”: “Alckmin é daqueles brasileiros que, se deu no “New York Times”, vale. Se não deu, não vale”. Era a ironia a serviço da ignorância.

2.087.504

2.087.504.

Este é o número de votos computados até o momento (99% das urnas apuradas) para Dona MarTAXA.

2.087.504.

Este é o número de paulistanos que precisam tomar conhecimento de alguns fatos sobre Dona MarTAXA.

A vantagem: alguns munícipes ACORDARAM.
Em 2004, Dona MarTAXA recebeu 2.209.264 votos.
A rainha do botox perdeu votos – nem tantos quanto o picolé de chuchu, registre-se.

Mas agora é preciso reduzir ainda mais o montante de incautos que acreditaram na rainha do botox.

Eis uma breve contribuição:

A herança de Prefeita Marta Suplicy

Radiografia da cidade de São Paulo no último dia de mandato do governo do Partido dos Trabalhadores

Janeiro 01, 2005


FONTE:
http://www.sampaonline.com.br/reportagens/aherancademartasuplicy.htm

Marta Suplicy finaliza seu mandato de quatro anos à frente da Prefeitura do Município de São Paulo deixando, segundo dados do Sistema de Execução Orçamentária, um rombo de quase R$ 440  milhões, e uma dívida que beira os 30 bilhões de reais.

Marta Suplicy, candidata ao governo do Estado em 2006, parece ter traçado sua estratégia eleitoral: deixar a cidade em ruínas, impossibilitando seu gerenciamento mediante manobras na Câmara Municipal, onde seu partido ainda usufrui uma considerável maioria. Segundo o jornal Folha de São Paulo, “Petistas ligados a Marta apostam que um início de governo conturbado do PSDB pode valorizar sua gestão, dando impulso para sua candidatura ao governo do Estado em 2006”.

Após perder a eleição, Marta Suplicy dedicou-se à tarefa de adequar sua gestão à Lei de Responsabilidade Fiscal. Até programas que foram o cartão de visita de sua gestão, e garantiram votos das camadas mais miseráveis da população, como o Renda Mínima, sofreram com corte ou atraso nos pagamentos. Inúmeras manifestações de servidores municipais e prestadores de serviço tumultuaram a cidade.

Como é o estado da cidade de São Paulo no último dia da gestão do Partido dos Trabalhadores ?

Projeto Belezura

Após assumir o mandato, Marta Suplicy lançou o Projeto Belezura, para resgatar a beleza da cidade, e -com maciça cobertura da imprensa- deu o exemplo pintando as paredes do estádio do Pacaembu. Os eventos do projeto contaram com presenças ilustres: até o senador Eduardo Suplicy prestigiou a revitalização da Praça Nossa Senhora aparecida, em Moema.

Confira:

Arlindo Chinaglia e Eduardo Suplicy participam do projeto belezura na Praça Nossa Senhora Aparecida em Moema

Projeto Belezura chega à Praça Coronel Fernandes de Lima, no Jardim Novo Mundo (Moema)

Quatro anos depois, os locais ora embelezados estão completamente abandonados, como demonstram as fotos abaixo:

Praça Coronel Fernandes de Lima

Praça Nossa Senhora Aparecida

Moradores de Rua

“É inadmissível que num governo do PT haja gente morando na rua”. Beatriz Pardi, subprefeita de Pinheiros, não podia expressar melhor a aparente intenção do governo Marta Suplicy de dar dignidade aos 8.704 moradores de rua da cidade de São Paulo (segundo censo da FIPE, Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Mas se a área de saúde foi abandonada por não dar votos, morador de rua, então, caiu no esquecimento. No início da gestão, o governo Marta Suplicy começou -com ampla difusão na mídia- uma campanha de transferência de moradores de viadutos para hotéis.

Confira:

Administração Regional de Santo Amaro retira indigentes sob viaduto da Avenida Vereador José Diniz

Administração Regional de Santo Amaro completa remoção de moradores do viaduto Transamérica

Quatro anos depois, moradores sob os viadutos Transamérica e Ver. José Diniz estão de volta (foto abaixo): abandonados pelo governo Marta Suplicy  e sem qualquer ajuda do Serviço de Assistência Social da Prefeitura do Partido dos Trabalhadores.

Poluição Visual

Ao começar a governar a cidade de São Paulo, e em alguns casos até antes, membros do alto escalão do Governo Marta Suplicy enfatizaram seu compromisso com a despoluição visual da cidade:

  • “Secretário diz que poluição visual diminui em 8 meses (Jornal O Estado de São Paulo, Outubro 7, 2000).
  • “Marta decreta guerra à sujeira e poluição visual” (Jornal O Estado de São Paulo, Janeiro 5, 2001).
  • “Poluição visual: o alvo nº 1 do Belezura” (Jornal O Estado de São Paulo, Janeiro 5, 2001).
  • “A prefeita Marta Suplicy promete ser implacável com a questão da poluição visual. Comerciantes que estiverem usando faixas, placas e banners que não estejam de acordo com a legislação, serão severamente punidos”. (Gazeta de Santo Amaro, edição N° 2109 de 17 a 23 de Fevereiro de 2001).

O Governo Marta Suplicy começou sua gestão com uma campanha -mais uma vez, com intensa cobertura da mídia- para retirada de outdoors irregulares. Houve quem duvidasse da real intenção da Prefeita: em reportagem publicada pelo jornal O Estado de São Paulo em 10 de Abril de 2001 Cláudio Pereira, diretor-executivo da Central de Outdoor, qualificou a mesma como “um factóide” afirmando que a intenção “é criar um barulho para os cem dias de governo”.

Confira: Retirada de outdoors ilegais gera confusão na Faria Lima

Quatro anos depois, há milhares de faixas instaladas irregularmente na cidade. A nova Lei aprovada durante a gestão de Marta Suplicy, elaborada pela Vereadora Myriam Athié, liberou a instalação de outdoors nas avenidas da cidade. A situação piorou consideravelmente.

Buracos

O governo Marta Suplicy recebeu do governo Celso Pitta uma cidade destruída. Nos primeiros meses foram organizados mutirões para recuperar a cidade.

Confira: Mutirão Tapa-Buraco continua nesta sexta e sábado

Quatro anos depois, as principais avenidas apresentam crateras que custaram rodas e pneus de milhares de paulistanos. Ruas secundárias estão completamente abandonadas; algumas são praticamente intransitáveis. Segundo dados divulgados no SP/TV em 7 de janeiro de 2005, há trinta mil buracos nas ruas da cidade de São Paulo.

Av. Washintgon Luís, altura da Rua Bourbon (Chácara Flora)

Rua Professora Maria de L.S. Nogueira esquina com a Rua Ubatu Mirim (Campo Grande)

Mato

O governo Marta Suplicy encontrou a cidade com o mato nas Marginais e principais avenidas alcançando quase meio metro de altura. Arlindo Chinaglia, Secretário de Implementação das Subprefeituras, disse no começo da gestão petista que “No estado que encontramos a cidade não dá para exigir que em apenas um mês você consiga limpar todo o mato, limpar bueiro, tirar entulho. Mas na minha avaliação já tem uma diferença significativa”.

Confira: Arlindo Chinaglia avalia um mês de Governo petista

Quatro anos depois, há sim uma diferença significativa: o mato ultrapassa um metro de altura. Compare a altura do mato, na foto abaixo à esquerda, com a altura da placa de trânsito.

Av. Prof. Alceu Maynard de Araújo, em Santo Amaro

Praça dos Libaneses, na Av. Jornalista Roberto
Marinho (ex-Água Espraiada)

Lixo

Apelidada de Martaxa pelas taxas do Lixo e Iluminação criadas na sua gestão, Marta Suplicy entrega o governo com toneladas de lixo acumuladas nas ruas de São Paulo. Para piorar a situação, Marta Suplicy anulou por decreto, em 29 de dezembro, despesas já revistas no Orçamento. Limpeza Urbana sofreu um corte de mais de R$ 220 milhões. Quando o ex-prefeito Celso Pitta utilizou recurso similar no fim de sua gestão, Marta Suplicy, que estava na cidade do México, qualificou a situação de “hecatombe”.

Rua Luís Correia de Melo, em Santo Amaro

Combate à corrupção

Após assumir seu mandato, em 2001, Marta Suplicy prometeu uma devassa no PAS, o sistema de saúde idealizado por Paulo Maluf. Nada fez. É mais: durante a campanha eleitoral de 2004, disse que “pontos bons no programa, como os cartões de cadastramento” (Folha de São Paulo, 29 de outubro de 2004). A condescendência com o ex-Prefeito foi tanta que segundo a revista Veja (edição 1878, 3 de novembro de 2004) “O Ministério Público estadual fará nos próximos dias o derradeiro pedido para que a prefeitura de São Paulo contrate um advogado para trabalhar no caso da Ilha de Jersey, paraíso fiscal onde Paulo Maluf guarda cerca de 200 milhões de dólares. É a sexta vez que os procuradores fazem essa solicitação”.

Não pode-se afirmar que houve cobrança de propina por parte de fiscais da Prefeitura durante o governo do PT. Mas também não é possível fazer tal afirmação do governo Pitta. Quem paga propina não denuncia por medo às represálias. Mas há indícios interessantes. Na reportagem “Camelódromo fracassa e perde até o nome”, publicada no Caderno Cidades do jornal O Estado de São Paulo em 15 de julho de 2004, fala sobre o Popcentro, uma espécie de shopping center para camelôs inaugurado na Rua Florêncio de Abreu. Inaugurado há meses como parte “de um projeto para amenizar o problema dos camelôs no centro”, o ” local só tem dois boxes para alugar, mas atraiu poucos ambulantes”. Segundo a reportagem, Valmir Siqueira, que foi camelô por 15 anos, alugou um box, tornando-se microempresário. Siqueira, que tem uma loja de ferramentas “afirma que gasta com o aluguel o que pagava de propina para fiscais“. Quais fiscais? Os do governo Marta Suplicy.

Foram, sim, demitidos alguns servidores: na maior parte dos casos, foi o resultado de processos iniciados no governo Celso Pitta.

Passa Rápido

Uma das grandes bandeiras eleitorais do governo Marta Suplicy. Feito às presas em 2004, vários trechos apresentavam buracos e defeitos no asfalto já no final do ano, após as eleições. Mas o custo real só veio à tona em 2005. Segundo informa a Folha de São Paulo em 12 de fevereiro de 2005,  “a quantidade de pedestres mortos na cidade de São Paulo disparou 20% em 2004, na primeira elevação dos últimos 11 anos e no maior salto anual do histórico de estatísticas da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego)”. A companhia trabalha ” como a principal hipótese para a alta de 20% a inauguração dos corredores exclusivos de ônibus à esquerda”, um projeto do governo Marta Suplicy. Este hipótese foi levantada “pelo fato de a elevação ter sido maior a partir do segundo semestre, quando a maioria passou a funcionar”.

Em 13 de junho de 2005, a Folha de São Paulo, na reportagem “Câmeras de Passa Rápidos não funcionam”, informa que “As 59 câmeras implantadas pela Prefeitura de São Paulo [nos corredores de ônibus à esquerda] foram desativadas ainda no governo petista”. Ainda segundo a Folha, “A desativação foi mantida sob sigilo no governo Marta, mesmo diante de questionamentos da reportagem no final de 2004. O ex-secretário dos Transportes Jilmar Tatto, abordado na semana passada, afirmou inicialmente que não sabia da inatividade dos aparelhos. Depois, disse se lembrar de algum problema, mas sem dar detalhes”.

CET

Reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo em 21 de fevereiro de 2005 afirma-se que “a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) de São Paulo começou 2005 numa das piores crises de sua história”, com ” mais de cem veículos de sua frota parados, em manutenção, principalmente por falta de peças”. O governo do PT diminuiu também os postos de medição de congestionamentos (de 45 para 34), desativou metade das câmeras de monitoramento do trânsito, deixou sem manutenção os semáforos inteligentes, atrasou pagamento de fornecedores e acabou com a gratuidade do serviço 194, que passou a ser atendido pelo 156, tarifado.

No final do governo Marta Suplicy a situação piorou. Em novembro foram suspensos os contratos terceirizados de guinchamento, já que a própria CET ia fazer o serviço. Deu no que deu: de 1.733 remoções de carros estacionados em situação irregular efetuadas em agosto, passou-se a 35 remoções em dezembro. A frota da companhia, sucateada, “tem uma idade média de 9,7 anos”. Ainda segundo a reportagem, se a Prefeitura aplicasse às viaturas da CET as mesmas regras que regem o serviço de transporte coletivo, onde ônibus com mais de dez anos não podem circular, “boa parte” dos 703 veículos da CET “ficaria proibida de circular”.

CEUs

Construídos a toque de caixa, a um custo até 425% maior do que em uma escola padrão, segundo dados do Ver. Ricardo Montoro, foram a grande bandeira eleitoral do PT. Duraram pouco: segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de São Paulo em 18 de fevereiro de 2005, uma auditoria da secretaria municipal da Educação constatou que “todos os 21 prédios que abrigam unidades dos CEUs (centros educacionais unificados) têm problemas na construção”. Ainda segundo a reportagem, o CEU Paz, na zona norte, exemplifica a situação: há “rachaduras, as duas piscinas foram esvaziadas e interditadas. Há também rachaduras no piso da escola, degraus quebrados, falta de escadas, tubulações com vazamento, pintura danificada, problemas na vedação e no ar-condicionado e até infiltração de esgoto no poço do elevador”.

Túnel da Rebouças

Mais um cartão postal de dona Marta e do PT. Segundo a revista Veja São Paulo de 19 de janeiro de 2005, a obra, que “consumiu 97,4 milhões de Reais, 49% a mais em relação à previsão inicial de gastos da gestão Marta Suplicy”, deixou “seis carros submersos” em dois messes, foi interditada “dez vezes por precaução” e, segundo laudo do IPT, há “trechos das galerias de drenagem pluvial do túnel que já estão em péssimo estado”. Pouco tempo depois o governo José Serra interditou novamente a avenida para reconstrução das galerias.

Dívidas e calote

Em editorial de 01 de março de 2005, a Folha de São Paulo afirma que “há sinais enfáticos de que a prefeita Marta Suplicy infringiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, reservando para seu sucessor restos a pagar sem a necessária cobertura”. Há, segundo a matéria, 12.875 credores, que reivindicam R$ 2,1 bilhões “por serviços supostamente realizados sem o devido pagamento”. R$ 800 milhões em empenhos foram cancelados pelo governo do PT, o que motivou a intervenção do Ministério Público Estadual para investigar o caso.

Mauro Ricardo Costa, secretário de Finanças do governo José Serra , estimou que em R$ 1,6 bilhão as dívidas de curto prazo deixadas pelo governo do PT, liderado por Marta Suplicy. Foi só tomar posse o novo prefeito e os fornecedores, que ficaram calados durante o governo do PT, botaram a boca no trombone. Em anúncio pago na imprensa divulgado em janeiro de 2005 a Associação de Pequenas e Médias Empresas da Construção Civil (APeMEC) afirmou que seus 225 associados estão “sendo vítimas de gravíssima inadimplência originária da administração anterior (NR: Governo Marta Suplicy)”. As empresas de lixo, que alegam ter R$ 298 milhões a receber da Prefeitura, também entraram com representação no Ministério Público Estadual para tentar garantir seus direitos.

Nem a energia elétrica o governo de Marta Suplicy pagou. Segundo a Folha de São Paulo (“Prefeitura às escuras”, 31 de março de 2005), da dívida da Prefeitura com a Eletropaulo “ao menos R$ 108 milhões são de contas atrasadas desde outubro de 2004, período em que se intensificou a gastança que caracterizou a gestão de Marta Suplicy, por razões sabidamente eleitoreiras.”

Os perueiros divulgaram no começo de 2005 um manifesto afirmando enfrentar uma ” situação desesperadora”, afirmando que nada recebem pelas baldeações gratuitas permitidas pelo bilhete único -e que já representam 30% do total de passageiros que eles transportam- ou pela viagem de idosos. Esta situação vem se arrastando desde julho de 2004, quando o governo Marta Suplicy se comprometeu a repassar aos perueiros uma subvenção adicional de R$ 15,3 milhões de agosto a outubro. Na oportunidade, o governo do PT prometeu que em novembro iam ser definidas novas regras de remuneração. Após a constatação da derrota eleitoral, danem-se os perueiros: nada foi definido nem sequer pago.

Em 11 de janeiro o governo José Serra enfrentou a primeira greve de ônibus: motoristas e cobradores do consórcio Via Sul, que pertence ao empresário José Ruas Vaz, o maior empresário do setor, recolheram 380 veículos às garagens -prejudicando mais de 190 mil passageiros-  por falta de pagamento dos salários, que deveria ter sido efetuado no dia 5. Segundo divulgado na Folha de São Paulo, os empresários do setor afirmam que “a demora para pagamento se deve aos atrasos da gestão anterior”.

Reportagem publicada no jornal Folha de São Paulo em 21 de fevereiro de 2005 informa a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) acumulou “dívidas milionárias em impostos, que deixaram de ser pagos para compensar a redução orçamentária determinada pela Prefeitura de São Paulo na gestão Marta Suplicy (PT)”. Segundo a reportagem, a CET reconheceu, “no governo petista”, dívidas superiores a R$ 43 milhões com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e de R$ 25 milhões de ISS (Imposto Sobre Serviços). Segundo Alfredo Coletti, diretor do sindicato que representa os empregados da CET – filiado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), o braço sindical do próprio PT- a crise é a pior na história da companhia, e os “problemas financeiros deixados por Marta são até piores que os de Pitta”.

O calote foi geral. Segundo reportagem da Folha de São Paulo de 21 de janeiro, Valéria Lauand, educadora do CEU Jambeiro, afirma que “ainda não recebeu os salários referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004”. Ricardo Nicola Luccas, professor de música do CEU Alvarenga, afirma que teve de “vender um de seus carros” já que não recebeu “os salários do último trimestre de 2004”.

O programa Reluz, que prevê a troca de mais de 40 mil lâmpadas de rua, também foi afetado. Segundo informa a Folha de São Paulo em 3 de março de 2005, uma parcela da AES Eletropaulo no valor de R$ 2,3 milhões referente à instalação -já realizada- de 19 mil pontos de luz com vencimento em 31 de dezembro de 2004 (último dia da gestão da petista Marta Suplicy) não foi paga, comprometendo o financiamento da Eletrobrás (R$ 120 milhões).

Segundo informa o site do Estadão em 16 de abril de 2005, o pagamento do serviço 156 foi suspenso por Marta Suplicy em agosto de 2004. Este serviço presta informações sobre 65 serviços municipais da cidade de São Paulo (itinerários de ônibus e bilhete único, trânsito, limpeza urbana e iutros ). O serviço voltou a funcionar em abril de 2005, depois que o governo José Serra se comprometeu a pagar em 15 dias as dívidas correspondentes aos meses de janeiro, fevereiro e março.

Subprefeituras

Na primeira reunião com Walter Feldman, secretário municipal das Subprefeituras, os subprefeitos interinos informaram como encontraram suas unidades. Na Casa Verde (zona norte), o piscinão está assoreado, a altura do mato ultra passa um metro de altura e as ruas estão todas esburacadas. Já a subprefeitura de Ermelino Matarazzo (zona leste) deve dois meses de aluguel do prédio. Todas as subprefeituras informaram dívidas com fornecedores e prestadores de serviço. A frota de veículos está sucateada, e os poucos veículos que rodam não têm combustível. Na Usina de Asfalto da Barra Funda (zona oeste), por exemplo, há 22 veículos. Desses, somente 4 têm condições de rodar.

Empreguismo

Os subprefeitos também relataram a Walter Feldman que em cada subprefeitura há de 10 a 20 funcionários em “cargos de confiança”, cuja principal missão era fazer trabalhos políticos. A esmagadora maioria desses “assessores” eram filiados ao PT, e como tais tem obrigação de doar uma percentagem dos seus rendimentos às finanças do partido.

A família Tatto, cujos membros segundo o jornal Folha de São Paulo ” formavam o clã mais poderoso na cidade durante a administração de Marta”, perdeu cerca de 40 cargos na Subprefeitura da Capela do Socorro. A derrota eleitoral afetou também o clube de futebol da família, o Barcelona Esportivo Capela, que estreou em 2003 na Série B-2 do Campeonato Paulista. O time jogava no Capelão, estádio construído durante a gestão do PT com ajuda da subprefeitura local, que colaborou com areia e blocos. Após a divulgação do resultado do segundo turno, a família decidiu vender sua participação no time, que deverá deixar a região rumo ao interior.