A magia da direita e a falsidade da esquerda

Em 1990, foi publicado o seguinte “artigo”:

Revista Teoria & Debate nº 9 (jan/fev/mar 1990)

A magia da direita

Brasil do milagre ficou para trás. E não há salvador da pátria que possa resolver, sem a sociedade organizada, os problemas do país. A bandeira continua verde-amarela, a crise econômica prossegue em marcha batida e o novo presidente, como se previa, receita para o povo o remédio amargo da recessão

Rui Falcão*

O deputado Paulo Delgado (PT-MG), que além de outras qualidades é um ótimo fazedor de frases, disse outro dia que o povão, na hora de votar, “preferiu o homem dos efeitos especiais”. Escolheu para presidente uma espécie de caçador da arca perdida ou do baú perdido. Calejado pela miséria, fustigado pelo imediatismo da fome, temeroso de viver uma nova vida, o povo desorganizado, o “homem comum”, fugiu para a fantasia. Com o imaginário aguçado, jogou suas esperanças em alguém que, mesmo sem o turbante ou a cartola, apareceu, graças à magia da Rede Globo, como um astro, um ilusionista, um homem cheio de truques – um farsante, para ser mais preciso. E aí temos hoje, no lugar do Sarney velho de guerra, Collor de Melo, cujo poder de mistificar e de mentir ao longo da campanha eleitoral macula e condiciona seu mandato como presidente da República.

No entanto, qualquer semelhança entre a ficção do vídeo e o Brasil real que ingressa nos decisivos anos 90 é mera coincidência. Sobram problemas e faltam Mandrake ou Indiana Jones de carne e osso. É pois, com a realidade batendo na cara, que todos nós estamos despertando do sonho (ou pesadelo) pós-eleitoral.

Com a margem de erro os riscos de futurologia que uma análise deste tipo comporta, é possível tentar traçar o cenário das primeiras semanas do governo Collor, de suas medidas iniciais e da ação oposicionista, implacável desde a proclamação do resultado das urnas.

É quase ocioso lembrar que o novo governo assim assume em meio à maior crise econômica da história brasileira. O diagnóstico é conhecido – dona Zélia Cardoso de Mello já discorreu sobre ele nos últimos meses -, as causas dividem as opiniões e as medidas de combate provavelmente combinarão fórmulas do FMI – Fundo Monetário Internacional com cenas de pirotecnia explícita, tipo operação “pega ladrão”. O fato é que, somadas, a dívida externa pública e a dívida interna pública já representam quase 60% do PIB – Produto Interno Bruto, a crise fiscal se agrava, sendo crescentes as pressões inflacionárias.

Diante desse quadro e frente às expectativas gerais do empresariado de um crescimento do PIB abaixo da taxa de aumento populacional (cerca de 2% ao final de 1990), compreende-se por que um novo tratamento de choque está em marcha.

Vale sempre ressaltar que, às vésperas do século XXI, há movimentos importantes em curso no contexto mundial, quase todos passando ao largo do Brasil, tanto mais à falta de uma ação de estadista à frente da oitava ou nona economia do globo. Assim é que, enquanto a Europa – 92 e os Estados Unidos, acossados pelo Japão, convergem interesses para o Leste europeu reanimado, nosso país se recusa a cumprir um papel de unificação no bloco latino-americano. Tal ação se tornaria possível com o rompimento dos laços de dependência, a partir da suspensão do pagamento da dívida externa.

Não há, porém, qualquer indício de que o presidente eleito pretenda adotar uma posição soberana no campo da dívida externa. Nem mesmo uma moratória técnica, nos marcos da que foi decretada pelo governo Sarney sob o ministro Dilson Funaro. Ainda que os banqueiros internacionais concedam a seu candidato dileto um período de graça e que isso possa implicar entrada de “dinheiro novo” para investimentos, a política da dívida tende a seguir o figurino clássico, a julgar pelo vago programa econômico apresentado durante a campanha: tratamento preferencial aos grandes grupos exportadores, restrição a importações, mantendo-se, assim, saldo comercial elevado para voltar a honrar as prestações do débito com os credores do exterior. Do mesmo modo, há sinais de que se levará a fundo a orientação privatista. Ou seja, a estratégia de conversão da dívida externa, iniciada e interrompida pela Nova República, será retomada, oferecendo-se à venda ações de empresas estatais em troca de papéis da dívida externa com deságio.

No plano da economia interna, a magia da direita mistura vários ingredientes. Já não é segredo para ninguém – e os contatos com economistas conservadores tipo Simonsen confirmam – que a recessão, “branda” ou não, figura no programa de emergência dos primeiros cem dias. A recusa em antecipar a posse tem dois sentidos: ou Sarney promove a recessão ou o descalabro e a perspectiva da hiperinflação legitimam o governo Collor a adotar medidas “antipáticas”, não desejadas mas salvacionistas, necessárias.

Naturalmente, nada disso se fará “a frio”. Há todo um arsenal de fogos de artifício, de medidas de efeito, preparando o clima propício e a ocasião mais conveniente para o anúncio oficial. Os grandes meios de comunicação prestam-se muito bem a isso. À falta de uma linha social-democrata e com a recusa de um pacto de salvação nacional por parte dos sindicalistas, a saída seria mesmo patrulhar alguns preços (que todo mundo se incumbiu de remarcar previamente às alturas) e vincular os reajustes salariais a índices prefixados de inflação futura (o modelo Simonsen). O arrocho salarial, que hoje já alcança cerca de 20% ao mês – só por conta da defasagem da inflação diária e o pagamento quinzenal/mensal -, seria ainda mais intenso, a fim de domar o descontrole dos preços…

Haverá contrapartida na tentativa de evitar uma explosão social por parte dos setores mais carentes e desorganizados. É a eles que se destinam as cestas de alimentos ou os tickets-refeição, ao mesmo tempo que um reforço no seguro-desemprego e uma ampliação nos prazos legais para o aviso prévio nas demissões seriam voltados para atenuar os efeitos da recessão na área do emprego.

O movimento sindical combativo, que apoiou abertamente a Frente Brasil Popular e a candidatura Lula, já deu o recado: não aceita que revoguem suas conquistas, rejeita as propostas de pacto que resultem em novos sacrifícios para a classe trabalhadora, quer pagamento semanal de salários e promete ir à greve geral contra o arrocho e a recessão. Até mesmo as lideranças do sindicalismo de resultados, acumpliciadas com Collor durante e após a campanha, têm dificuldade em vender o pacote para suas bases. Afinal, pelegos e colaboradores são suficientemente espertos para avaliar os estragos de uma postura mansa num ano em que, por exemplo, se renova a direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

Qual é a sustentação partidária, política, econômica e social do novo governo para empreender seu projeto e acionar seus planos de curto prazo? Sufragado pelo voto popular, embora rejeitado pela maioria absoluta do eleitorado, Collor ostenta a seu favor o título de primeiro presidente escolhido nas urnas desde o famigerado Jânio Quadros, de quem, aliás, Collor às vezes lembra os piores momentos, se bem que prefira comparar-se a outro ex-presidente, o JK do Plano de Metas e dos “cinqüenta anos em cinco”.

Apesar dessa vantagem originária, o novo presidente assume em condições bem mais adversas do que seu antecessor. Sarney, embora escolhido no Colégio Eleitoral e chegando à Presidência por obra do infortúnio, herdava as esperanças forjadas por Tancredo. Encarnava os anseios de mudanças acalentados na campanha das diretas e simbolizava, para quem queria se iludir, as transformações profundas que nasceriam com a Nova República. A oposição se resumia ao PT quase isolado -, ao PDT de vez em quando, e a base de apoio, parlamentar e popular, era muito ampla.

A situação de Collor é bem outra. Descontrolado, arredio, violento e explosivo muitas vezes, tentou situar-se a distância da sociedade organizada, dos sindicatos, dos partidos, das entidades empresariais, ainda que fosse claro o jogo de cena. É inegável, contudo, que tenha a seu lado as multinacionais, os grandes grupos econômicos do país, os banqueiros, os latifundiários, a Igreja conservadora, a pequena burguesia acomodada, a direita militante, o sindicalismo de resultados e a grande imprensa – Rede Globo à frente. Pode parecer contraditório que, investindo contra a Fiesp durante a campanha, Collor possa contar com a solidariedade dos capitalistas, divididos entre vários candidatos nas eleições. Esse fato, entretanto, decorre mais da incapacidade das classes dominantes de se unificarem em torno de um único candidato (até porque face à privatização do Estado, retalhado entre vários grupos de interesses, em preferência ficasse em segundo plano) do que propriamente de uma rejeição inarredável ao novo presidente. Trata-se, agora, de buscar uma rápida aproximação, um envolvimento como já vem sendo feito, para contornar eventuais discordâncias e prevenir atitudes de governo imprevisíveis, que possam pegar de surpresa o grande empresário.

No Congresso, os emissários de Collor cuidam de formar um bloco majoritário, a despeito de a posição oficial do PMDB (o partido que ainda reúne o maior número de parlamentares) ser contrária ao novo governo. Somados, PT, PDT, PSDB, PC do B, PSB, PCB e esquerda do PMDB não conseguem maioria contra PFL, PDS, setores adesistas do PMDB, PRN e siglas afins alugadas por Collor. A tendência, pois, é de que a tradicional fisiologia, açulada por alguns postos no governo, abra campo para o situacionismo no Congresso e que surja um novo “centrão” disposto a concorrer unido nas eleições de outubro próximo.

A composição do ministério, por sinal, deverá corresponder a esse perfil de apoios políticos no Congresso o na sociedade: uma equipe de direita, não sem antes tentar atrair quadros de “esquerda”, integrantes do grupo de amigos do presidente, membros da tecnoburocracia estatal o os tradicionais representantes do empresariado.

Mitômano ou demente, como tentou defini-lo em entrevista recente a economista Maria da Conceição Tavares, Collor preferiu recuar um pouco na demagogia da campanha e foi atrás do empresariado conservador, que o acolheu de braços abertos. Não fosse por isso e pelos canais que sempre manteve abertos em outros setores organizados da sociedade, o novo presidente teria de se exceder num expediente muito comum na América Latina e muito grato a ditadores como Hitler ou Mussolini: o apelo direto “às massas”, com todas as conseqüências que decorrem desse estilo de governo.

O populismo, contudo, não está descartado do cenário. Tampouco certo autoritarismo, naturalmente contido pelas garantias constitucionais, mas inerente à própria imagem que o Sr. Collor de Melo fez projetar de si. A conjuntura de 1990, começando pelo Carnaval e esperando pela Copa do Mundo na Itália, a partir de junho, é uma tentação para gestos de patriotada, de união nacional, de sacrifícios e de cortinas de fumaça para esconder os efeitos da crise. Quem discordar que se mude ou troque de bandeira … Remember 1970, a Copa do México e o governo Médici.

O clima de carnaval e de Copa do Mundo é um trunfo valioso com que o novo presidente espera contar para o sucesso de seus planos. A torcida a favor nos primeiros meses e a chegada da Copa em seguida poderão lhe dar fôlego para atirar-se ao combate eleitoral, vital para influir nos governos estaduais e, sobretudo, para tentar constituir uma maioria parlamentar renovada e consistente. Acuado pelo espectro do parlamentarismo antes de 1993, que lhe tiraria poderes, lhe imporia concessões e ofuscaria seu brilho, Collor precisará acumular na Presidência para jogar na campanha não só o peso da máquina, mas o prestígio que um bom governante costuma transferir em votos para seus aliados políticos.

Nessa linha de raciocínio, não se devem subestimar as possibilidades de acordo político entre a grande burguesia e o governo, a fim de superar alguns problemas econômicos capazes de “popularizar” Collor pelo menos até outubro. Um outro tipo de Plano Cruzado, no qual setores do empresariado, suficientemente cacifados por lucros acumulados nos últimos meses, poderiam muito bem moderar sua ganância para ajudar a conter e a promover algumas concessões para os setores sociais de baixa renda. Parece evidente ao grande empresariado e principalmente a Collor – o que significaria a oposição se apossar, em outubro, dos governos de São Paulo, Rio de janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, só para ficar nos mais importantes e mais prováveis.

Mas, independentemente do parlamentarismo e muito antes das eleições de outubro, a oposição já ajusta suas táticas e afia as amas. Os trabalhadores urbanos, organizados em seus sindicatos e liderados pela CUT, refugam a cesta básica como esmola e repelem a troca do emprego por um aviso prévio mais longo. Estão na luta para preservar seus salários, derrotar a inflação e ampliar conquistas tão duramente alcançadas nos últimos anos. Em resposta às ofertas de trégua, pacto e um Ministério do Trabalho para alguém do movimento sindical (da confiança do governo), brandem seu plano de reivindicações e acenam com o instrumento legítimo da greve geral.

Nas áreas rurais, a certeza de que não há planos de Reforma Agrária no horizonte do novo governo semeia a intranqüilidade entre os pequenos proprietários, alvoroça os meeiros, rendeiros, parceiros, assalariados, e reforça a organização dos sem terra, dispostos a continuar ocupando terras para plantar, produzir e matar a fome de suas famílias. A união de todos eles em defesa da Reforma Agrária e na luta por uma política agrícola voltada para o abastecimento interno, para a elevação da produtividade, a preservação do meio ambiente e para a desconcentração da propriedade fundiária está na ordem do dia.

A intelectualidade progressista, que entrou em bloco na campanha da Frente Brasil Popular, também exige um projeto cultural diferente para o país. A ela repugna, como a todos nós, a manipulação de mentes e corações perpetuada pela Rede Globo, o monopólio da comunicação, esse “Grande Irmão” proprietário da verdade única dos poderosos. Democratizar os meios de comunicação, romper com o elitismo do ensino pago e com a segregação dos equipamentos culturais, ampliar a participação popular (em luta por melhores condições de vida nas grandes cidades) nas decisões do governo são algumas das bandeiras que a intelectualidade provavelmente manterá desfraldadas todo o tempo.

Respaldado por milhões de votos, estimulado por uma ampla mobilização social em curso e ancorado num programa democrático-popular de transformações econômicas, políticas e sociais, ganha corpo, então, o governo paralelo, gabinete de oposição, ministério nas sombras ou que nome se queira dar a esse bloco social e político disposto a levar às últimas conseqüências, nos marcos do regime vigente, o combate ao projeto neoliberal, recessivo, antipopular e de internacionalização dependente do Brasil, implícito no programa de governo do novo presidente.

Logo que surgiu a idéia, vocalizada por Lula ainda em dezembro, os guardiões da ordem-como-está e os arautos do progresso-para-poucos se apressaram em cobri-la de suspeitas. Seria uma maneira de conspirar contra o governo, de um contra as instituições democráticas, alarmavam-se eles, sempre os primeiros a recorrer aos quartéis e apelar para a força, toda vez que sentem seus privilégios ameaçados.

Em seguida, porém, deram-se conta de que a existência de um “governo de oposição” significa o reconhecimento de um governo legal, estabelecido – no caso, o do presidente Collor de Melo. Sobrou, para falar mal, apenas a lembrança de que iniciativas semelhantes a essa cabem melhor nos regimes parlamentaristas, que, aliás, viviam defendendo não por razões doutrinárias, mas para estabilizar situações ou barrar avanços dos setores populares.

O governo de oposição, lançado pelo PT e aberto aos setores alinhados com uma política de mudanças no país, está se estruturando e vem recebendo boa acolhida junto à população. Suas equipes, montadas a partir dos grupos de transição formados pela Frente Brasil Popular, esquadrinham as dificuldades do país e avançam propostas alternativas para superar a crise. Cada ministério ou secretaria do governo Collor terá uma sombra a acompanhá-lo, com uma crítica e uma solução. Daqui a cinco anos no máximo, chegará nossa vez.

Até lá, é muita luta, muita mobilização e muita coragem para quebrar o encanto, desfazer o mito, anular o feitiço dos vendedores de ilusões. Como se vê, nossa bandeira continua da mesma cor. A miséria, também. Ninguém segura este país. Pra frente, Brasil!

7 de janeiro de 1990

*Rui Falcão, jornalista e presidente do Diretório Municipal de São Paulo.

Os trechos grifados são minhas sugestões para uma leitura mais atenta.

Depois de lê-los com mais atenção, vejamos esta foto:

Algumas explicações adicionais à foto estão AQUI, AQUI, AQUI ou AQUI.

Desnecessário dizer qualquer coisa a mais…….

Paternidade

Essa vem direto do blog do Gilberto Dimenstein (não gosto dele, confesso, mas o texto é interessante, por razões óbvias):

Quem criou o Bolsa Família, maior cabo eleitoral do PT em geral e de Lula em particular?

De olho nas eleições, o PSDB lançou uma cartilha assumindo a paternidade dos programas de transferência de renda –bolsa escola, por exemplo– que deram origem ao Bolsa Família. Meia verdade. Ou, se preferirem, meia mentira.

Foi, de fato, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso que se ampliaram os programas de renda mínima –uma ideia empunhada solitariamente, por muito tempo, pelo senador Eduardo Suplicy. Naquela época, aliás, o PT chamava bolsa-escola de bolsa-esmola.

Mas a verdade é que os programas de renda mínima tem dois autores. O então governador de Brasília, Cristovam Buarque, e o falecido prefeito de Campinas, Roberto Magalhães Teixeira.

Foi o Cristovam Buarque, porém, que atrelou com mais força a bolsa à permanência da criança na escola –sei disso porque eu apresentei o prefeito de Campinas ao então governador de Brasília. Esse modelo foi replicado à saúde, com o vale-alimentação.

De Brasília, a ideia teve a adesão do UNICEF e UNESCO, entusiasmando todo o país. Coube, então, ao então ministro da Educação, Paulo Renato Souza, dar-lhe escala nacional. Isso graças ao Programa de Combate da Pobreza, criado por Antonio Carlos Magalhães, ex-governador da Bahia.

Pouca gente sabe que, durante a tramitação do Fundo de Combate à Pobreza no Congresso- base para ampliação do bolsa-escola –o PT foi contra.

A verdade, porém, é que foi Lula quem unificou todas aquelas bolsas, ampliando expressivamente seu alcance.

Interessante, não ?!

Síndrome de Peggy Sue volta a atacar

Síndrome de Peggy Sue: seu passado o condena.

A Mulla (e todos os PTralhas, que se registre) sobre desse mal:

Para as devidas explicações, recorro ao texto do Reinaldo Azevedo:

O vídeo abaixo não deixa de ter a sua graça. Vemos o Lula de hoje, em 2009, a descer o braço em supostos críticos do Bolsa Família, que teriam classificado o programa de assistencialista”, “demagógico” e “uma esmola”. Para Lula, tais pessoas são “imbecis e ignorantes”.

Em seguida, vem o Lula de antes, o de 2000. Ele lamenta que o voto, no Brasil, não seja “ideológico” e que as pessoas não “votem partidariamente”. Segundo este pensador, “o alto grau de empobrecimento do Brasil” faz com que a pessoa escolha um candidato “pelo estômago, não pela cabeça”. E critica a distribuição de cestas básicas ou do ticket do leite.

Noto: naquele 2000, foi criado o Bolsa Escola; no ano seguinte, vieram o Bolsa Alimentação e o Auxílio-Gás. Todos esses programas foram reunidos, depois, sob a rubrica Bolsa Família, tida como a grande “invenção” de Lula. O PT, saibam, classificava o Bolsa Escola de assistencialista, tanto que a então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, negava-se a implementá-lo em São Paulo. Só deu início ao processo sob pressão.

Pois é… Para o PT, o programa de bolsas era “demagógico” e “assistencialista!”. Vocês sabem, né? Naquele tempo havia muitos “imbecis e ignorantes” no Brasil.

Dialógo entre colegas

Resposta de um Médico, Dr. Humberto de Luna  Freire Filho, a outro médico, Dr. Aldo Pacinoto publicadas no jornal O Estado de São Paulo

Carta do Dr. Aldo Pacinoto
Date: Thu, 4 Jun 2009 12:35:10 -0300

Prezado senhor Humberto.

Sei perfeitamente que os leitores do jornal O Estado de S.Paulo são conservadores, muitas vezes reacionários, claramente de direita. Mas algumas cartas chegam ao cúmulo do absurdo.

Ontem um leitor disse que a culpa dos erros nas cartilhas do governo do senhor José Serra é culpa de algum “petista infiltrado” na Secretaria da Educação.
Hoje, o senhor faz uma observação completamente equivocada.
Não é apenas o presidente americano Obama que elogia o nosso presidente. Os elogios estão vindo de todos os continentes. É o presidente francês, é o presidente sul-africano, o premiê inglês, finlandes, alemã.

Só não vê em Lula um grande líder pessoas preconceituosas que ainda o enxergam como um metalúrgico analfabeto. O senhor deve ser de classe média média ou alta.
Pergunto: o que piorou em sua vida com o governo Lula? O que vai melhorar com o governo Serra? É claro que a classe média não quer enxergar em Lula um presidente que tem enfrentado crises econômicas internacionais como ninguém.
O senhor lê a Economist? O El País? O Le Monde? Se ficar lendo apenas o Estadão e a Veja terá uma visão burguesa e centrada em críticas e mais críticas. Radical.
O senhor sabe o quanto o atual governo melhorou a vida dos menos favorecidos? O senhor não quer que ele melhore a vida dos mais pobres?
Sou médico, não sou petista, sou classe média até digamos alta. Tinha tudo para pensar como os leitores do Estadão que mandam frases de efeito, às vezes engraçadinhas, que o jornal adora publicar. Mas, felizmente, penso exatamente ao contrário desses leitores. Graças a Deus e ao meu pai que me ensinou a olhar a vida sem radicalismos.

Atenciosamente.

ALDO PACINOTO
Curitiba

Resposta do Dr. Humberto de Freire Luna Filho

Date: Fri, 5 Jun 2009 01:54:52 +0000

Prezado colega Aldo
(Também sou médico – Neurocirurgião)

Antes de mais nada quero deixar claro que não sou eleitor do Sr.José Serra, sou apolítico, não filiado a nenhum partido, tenho nojo de politíca e, consequentemente, de políticos, principalmente dos atuais.
Sou a favor sim, dos princípios morais, mas, para meu desapontamento, isso transformou- se em fruta rara nos três Poderes da República no atual governo.
Quero também informar ao colega que leio qualquer publicação e não só O Estado de S. Paulo e a Revista Veja, como também já viajei por meio mundo, portanto vou responder suas indagações com conhecimento, e o que é mais importante, com a independência de um profissional liberal não comprometido com governo nem com imprensa nem com igreja nem com sindicatos ou com quem quer que seja.

Quanto à sua pergunta sobre o que piorou na minha vida durante o governo Lula e as possíveis melhoras em um possível governo Serra, eu diria que não houve nem haverá nenhuma mudança. Nem eu quero que haja, porque de governo, qualquer que seja a tendência ideológica, eu só desejo uma coisa: DISTÂNCIA.

Não dependo nem nunca dependi de nenhum deles. Uma outra afirmativa sua é sobre a melhoria da vida dos mais pobres (por conta do bolsa família, imagino). Minha opinião é que bolsa família não é inclusão social, é esmola, mais precisamente compra disfarçada de votos. O pobre não quer esmola, quer escolas, hospitais,ambulatórios que funcionem na realidade. Nos palanques eleitorais já foi dito até que a medicina pública brasileira está próxima da perfeição. Só que a cúpula do governo, quando precisa de assistência
médica, dirige-se ao Sirio-Libanês ou ao Hospital Israelita e chega em São Paulo em jatos particulares. O colega, como médico, não deve ignorar essa realidade.

Na área rural, falta mão de obra porque o dito trabalhador rural virou parasita do governo e não mais trabalha. Para que trabalhar? eu fico em casa e no final do mês o governo me paga. Essa foi a frase que tive que engolir,
não faz muito tempo, antes de abortar um projeto em minha propriedade rural que empregaria pelo menos de 50 pessoas. Quando optamos pela mecanização, vem um bando de sindicalistas hipócritas junto com a quadrilha do MST, diga-se de passagem foras da lei e baderneiros, financiados com dinheiro público, dizer que a máquina está tirando o emprego no campo.

Outro item a que você se refere é sobre a minha observação, completamente equivocada (equivocada na sua opinião), publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo. Pois é, aquela é a MINHA observação e eu espero que o colega a respeite como eu respeitaria a sua se lá estivesse publicada. E mais se você quiser fazer um giro maior, saindo portanto, da esfera do Estadão e da Veja para fugir do conservadorismo dos mesmos, (conservadorismo também opinião sua – respeito) , verá que existem muitas outras publicações minhas dentro
do mesmo raciocínio, coerência, independência e coragem que tenho para falar o que quero, e assumir totalmente a responsabilidade pelo dito. Colega, por favor, pesquise os seguintes jornais: Diário de Pernambuco (Recife-PE), Diário da Manhã (Goiânia-GO), Gazeta do Povo (Curitiba-PR) , O Dia (Rio de Janeiro-RJ), Jornal O Povo(Fortaleza- CE) e outros, além de dezenas de sites e blogs.

Agora faço a minha primeira pergunta: são todos conservadores e reacionários? Não! são independentes. Não são parte da imprensa submissa e remunerada com dinheiro público, não fazem pubilicidade da Petrobras, do Banco do Brasil da Caixa Economica Federal, do PAC, e o mais importante, não recebem ordens de Franklin Martins, (o Joseph GoebbelsTupiniquin), manipulador de informações, prestidigitador que usa o vulnerável substrato cultural brasileiro, para transformar câncer em voto.

E para encerrar, permita-me fazer mais essas perguntas: O The Economist, o El País,O Le Monde etc. informaram a opinião pública européia sobre as dezenas de escândalos financeiros e morais ocorridos no País nos últimos sete anos e que permanecem impunes por pressão do grande lider e asseclas? Informaram que o Congresso Nacional está tomado por uma quadrilha manipulada pelo Executivo (80% envolvidos em algum tipo de delito) e que conseguiram extinguir a oposição? Informaram que a maior empresa brasileira é estatal e ao mesmo tempo usufruto do governo, e que o mesmo tenta desesperadamente blindá-la contra qualquer fiscalização? Informaram que 40% dos ministros e ex-ministros desse governo respondem a processos por malversação de dinheiro público?

Eu acho que os chefes de estados da Europa não sabem dessas particularidades. Por muito menos estão rolando cabeças no Parlamento Britânico, e com uma grande diferença, o dinheiro lá desviado é devolvido aos cofres públicos; enquanto aqui parte é rateada; parte é para pagar bons advogados, e outra parte é  incorporado ao patrimônio do ladrão.

Casos exaustivamente comentados na imprensa vem ocorrendo há anos com pelo menos cinco indivíduos que hoje fazem parte ativa da base de sustentação do grande líder. Isso para não falar de coisas mais graves como os assassinatos dos prefeitos de Campinas e de Santo André, envolvendo verbas de campanha. Crimes esses nunca esclarecidos e cujos cadáveres permanecem até hoje no armário do PT. Portanto, ver Luiz Inácio Lula da Silva como um líder é querer forçar um pouco. Para mim, ele não passa de papagaio de pirata de Hugo Chavéz. Veja a sua última pérola: “O Brasil acha petróleo a 6 mil metros de profundidade por que não acha um avião a 2 mil”. Isso não é pronunciamento de líder em um evento público envolvendo dezenas de chefes de estado. Isso cairia bem em reunião de sindicato ou em mesa de botequim. Caracteriza oportunismo vulgar.

Moro no Brasil, sei ler e não sinto azia quando leio. Não sou preconceituoso nem radical, modéstia a parte, sou esclarecido, e se combater corrupção é radicalismo, aí sim, sou RADICAL, e estou pronto para qualquer coisa como todo nordestino.. . de caráter.

Atenciosamente.
Humberto de Luna Freire Filho
São Paulo

Senado

Tenho me divertido IMENSAMENTE vendo a cambada do PT (especialmente a Mulla-mor) defendendo o Sarney.

O tempo é o senhor da razão………

A defesa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), terça-feira, foi um dos momentos mais constrangedores testemunhados por este veterano repórter político, habituado ao cinismo dos políticos por dever de ofício. Por mais distanciamento que o profissional da comunicação seja obrigado a ter das fontes com que se relaciona, seria um excesso de insensibilidade não sentir vergonha ao acompanhar um ancião com um currículo que inclui uma passagem pela presidência da República e duas pelo comando do Senado Federal reunir argumentos pueris e insustentáveis, com voz trêmula e gaguejante, como um colegial despreparado respondendo na prova oral a uma questão sobre tema que não estudou.


O orador atropelou os cânones do comportamento esperado de um senador, palavra portuguesa oriunda do termo latino senior, o mais velho, não no sentido do mais longevo, mas, sim, do mais experiente, do mais vivido, do mais capacitado, em suma. Os antigos romanos se deixavam governar por esses conceitos e, é claro, desde então a definição etimológica sucumbiu aos pecados, vícios e defeitos comuns no gênero humano. Isso explica, mas não justifica, a postura – entre tatibitate e pernóstica – adotada pelo varão, ao se defender da tribuna perante seus pares.


Essa defesa de Sarney não pode ser definida como inconsistente, de vez que ela simplesmente inexistiu. Tendo ouvido em algum lugar que a melhor defesa é o ataque, ele preferiu cobrar de volta a ter de apresentar alguma evidência de sua inocência das acusações que lhe são feitas. Diante da impossibilidade de negar a conexão que obviamente tem com a nomeação do neto, substituído pela mãe deste, num emprego concedido de forma clandestina, entre outras coisas, ele optou por adotar o velho lema do autoritarismo coronelista sertanejo: “Vocês sabem com quem estão falando?” Ou melhor: “Vocês não sabem com quem estão falando”.


Como o menino traquinas, flagrado com as mãos cheias de penas, tentando negar ao pai que matou o passarinho, o velho senador pôs o dedo em riste no nariz de todos os brasileiros perplexos com a farra da cota de passagens, o abuso do auxílio moradia e, principalmente, os atos secretos configurando a existência de um Senado clandestino. E apelou para a própria sorte, como se ela pudesse eximi-lo dos erros que cometeu ou avalizou, ora denunciados. “É injusto cobrarem isso de um homem que fez tanto pelo País” – foi o ponto capital de sua fala. Não permitiu apartes. Evidentemente, nenhum de seus nobres pares teria coragem e discernimento para lhe perguntar o que teria feito de tão relevante e útil para o Brasil para se tornar merecedor da inimputabilidade, que não pode ser dada a cidadão nenhum. Mas a esperteza o impediu de correr esse risco.


Sem as obrigações regimentais nem sociais dos varões da República por ele presididos, venho cobrar aqui: “vá contando aí o que fez pelo País, senador Sarney”. Terá ele arriscado a vida pela pátria nas horas intermináveis do bate-papo cordial nos cafezinhos do parlamento? Consta de sua biografia a passagem pelas masmorras de uma ditadura por ter travado o bom combate da luta pela manifestação livre da cidadania? Terá ele doado sua fortuna pessoal a alguma instituição de benemerência ou mecenato reconhecidos? Sabe-se que Sua Excelência, filho de um modesto juiz de província, acumulou razoável pecúlio e frequentou com assiduidade invejável os banquetes servidos pelos maiorais da República nos regimes a que serviu: a ditadura militar, cujos conceitos representou na condição de presidente do partido serviçal; a Nova República, na qual herdou o poder maior por uma peça pregada pelo destino à Nação, que esperava ver no lugar o titular da esperança, e não seu reserva e beneficiário; e agora a república petista, da qual é insigne servidor, como patrono de causas indefensáveis e paraninfo do gozo pelo gozo do poder.


Não tivesse a sorte, que sempre o bafejou na carreira política, produzido, além da glória, a cegueira para tudo o que não diga respeito a si próprio, a seus parentes, amigos, afilhados e apaniguados, o poeta, romancista e tribuno José Sarney poderia ter dado destino mais digno a sua peroração. Idoso, tendo cruzado o Cabo da Boa Esperança, poderia verbalizá-la, atirando-se temerariamente à luta pela reconstrução das instituições democráticas, desafiadas pela popularidade e pelo despreparo daquele que hoje comanda o seu e os nossos destinos. Teria, com isso, o velho timoneiro, auferido mérito, não para cobrar da Nação seus préstimos de homem público, que são dever e não prerrogativa, mas, sim, para dar a guinada espetacular capaz de salvar sua biografia do naufrágio que a espera, sob a areia movediça e ondas de lama em que o Poder Legislativo, do qual é dignitário, se afunda.


O orador desta terça-feira no Senado, recebido pelos colegas com um silêncio sepulcral, é uma assombração perdida num casarão colonial brasileiro. Mas uma assombração insepulta: no Brasil do “quem cala consente”, seu silêncio cúmplice lhe concede fama, prestígio e poder.

José Nêumanne Pinto

© Diário do Comércio, de São Paulo, sexta-feira 19 de junho 2009, página 6 do primeiro caderno (Política)

Privatização marxista

Um EXCELENTE texto que localizei NESTE BLOG:

evo-morales_web.jpg

Evo Morales anuncia para breve o lançamento de um jornal estatal na Bolívia, um veículo de comunicação impresso “para divulgar a verdade”, enfatiza o mandatário, a se contrapor ao discurso oposicionista da mídia tradicional que não morre de amores pelo presidente de origem indígena. O que Evo Morales não diz é que “a verdade” é a palavra oficial do governo, ou seja: propaganda.Também não diz, ou talvez não tenha noção, o que um projeto dessa índole representa. Ou seja, que as chances de um jornal com esse intuito editorial dar certo são praticamente nulas. A não ser que siga a fórmula tradicional consagrada pela história, a Rússia e o Pravda o melhor modelo, de se cercear num primeiro momento e suprimir a médio prazo a imprensa da iniciativa privada: impor o noticiário único e eliminar a diversidade. E no caso específico da Bolívia, necessário será alocar recursos do erário para distribuir ou subsidiar o veículo, de modo a atingir índices de leitura razoáveis.

A iniciativa do ex-lider cocaleiro que se insere numa proposta maior de socialização da mídia me trouxe a lembrança do pensamento de Karl Marx (quer se contrapõe a isso tudo, embora o seu nome seja evocado como referência) nos primórdios de sua atividade intelectual, então com 23 anos de idade, expresso em memoráveis artigos originalmente publicados no Rheinische Zeitung.  Mais tarde reproduzidos em jornais americanos e ingleses e reunidos em livro, editado no Brasil pela L&PM Editores, em 1999.

_karl_marx5.jpg

Marx debate os conceitos de censura e liberdade de imprensa e então traça um perfil da mídia oficial, a mesma que Morales celebra como uma grande conquista social: “O governo ouve somente sua própria voz; sabe que ouve somente a sua voz; entretanto tenta convencer-se de que ouve a voz do povo, e exige a mesma coisa do povo. O povo, portanto, cai parcialmente numa superstição política, ou isola-se totalmente da vida política, tornando-se uma multidão privada”.

Homem castrado

Num outro artigo Marx qualifica os efeitos da censura: “Uma imprensa censurada é ruim mesmo se produzir bons frutos…um homem castrado sempre será um mau macho, mesmo se tiver uma boa voz… Uma imprensa livre é boa mesmo quando produz frutos ruins… A natureza continua sendo boa, mesmo se produzir abortos”. Mais adiante avalia a sua inconsistência: “A censura é a crítica como monopólio do governo. Mas a crítica não perde seu caráter racional quando não julga partidos, mas transforma-se em partido? Quando quer criticar, mas não quer aceitar críticas? Quando, finalmente, é tão pouco crítica que confunde
ditames do poder com ditames da razão”.

Então revela a sua própria natureza: “A censura não é uma lei, mas uma medida policial, uma má medida policial, porque não consegue o que quer, nem quer o que consegue”.Nessa mesma linha de raciocínio Karl Marx faz um desafio: “Porque nenhum Estado tem a coragem de formular através de princípios legais e universais aquilo que os censores fazem na prática? “.  Justifica: “é por isso que a administração da censura é confiada, não aos tribunais, mas a polícia”. E acrescenta: “a censura é uma medida precatória da policia contra a liberdade… A lei de imprensa pune o abuso da liberdade. A lei da censura pune a liberdade como se fosse um abuso”. Então, questiona o conceito de liberdade vigiada: “A lei da censura é uma lei suspeita contra a liberdade…Mas, em todas as esferas não é considerado uma ofensa à honra estar sob vigilância domiciliar? “.

Imprensa é o cão de guarda

O notável pensador alemão não deixou passar o debate em torno dos abusos da imprensa e a idéia em torno disso de que a mesma deve sofrer algum tipo de intervenção do Estado, como um organismo doente que deve ser assistido:  “A censura sequer é um bom médico… E apenas um cirurgião que só conhece um remédio…as tesouras. E nem sequer é um médico que tem como objetivo a saúde. É um cirurgião esteta que considera supérfluo no corpo tudo que ele não gosta”. E conclui: “Todos os dias a censura corta a carne de indivíduos intelectuais e deixa passar somente corpos sem coração, corpos sem reações, apresentado-os como saudáveis”. Marx aponta os seus efeitos nocivos: “A censura transforma todos os escritos proibidos, bons ou ruins, em artigos extraordinários”.

O pensamento de Karl Marx à respeito da imprensa, pelo menos nesta fase embrionária de sua produção intelectual, deve causar arrepios aos profetas de uma mídia, sob supervisão do Estado, ou algum tipo de controle. É o pensamento de um liberal, os mesmos princípios que nortearam os reformadores da primeira emenda na Constituição americana. Alguns anos depois, em 1849, Marx defendia-se nos tribunais da acusação de ter cometido o delito de injúria contra as autoridades, ele então editor do Neue Rheinische Zeitung e perante o juiz não mediu palavras de sua convicção quanto ao papel da mídia: “A função da imprensa é ser o cão de guarda público, o denunciador incansável dos dirigentes, o olho onipresente, a boca onipresente do espírito do povo que guarda com ciúme sua liberdade”. Ou seja, Tudo que um jornal do Estado não pode, realizar.

Artigo de minha autoria originalmente publicado no Portal Imprensa em 24/01/2009 [Nelson Varón Cadena]

Pois é…..Depois, aparecem os “socialistas de merda”, aquela PTralhada que nunca passou das primeiras 20 páginas da obra de Marx, e defende algo que eles nem sequer sabem exatamente o que é……