Remessas de lucros: só relembrando

Para aqueles que simplesmente repetem o “mantra” do sucesso da política econômica PTralha, muita atenção:

Embora o governo aposte na chance de o Brasil receber recorde de investimentos estrangeiros neste ano, dados do Banco Central mostram que a remessa de lucros e dividendos para as matrizes das multinacionais nos quatro primeiros anos do governo Lula foi o triplo da registrada entre 1999 e 2002, no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso.
Entre 2003 e 2006, no primeiro mandato de Lula, a cada US$ 10 que entraram no Brasil, outros US$ 6 foram enviados ao exterior como ganho às sedes. Nos quatro últimos anos da gestão FHC foram remetidos US$ 2 para cada US$ 10 que entraram no país -valor pouco acima dos US$ 2,5 remetidos durante o primeiro mandato do tucano, entre 1995 e 1998.
O ingresso de investimentos estrangeiros entre 2003 e 2006 somou US$ 62,1 bilhões, enquanto as remessas foram de US$ 37,8 bilhões, conforme os números do BC. Com o aumento desse envio de lucros, parte do efeito positivo que a entrada desse capital tem sobre as contas externas é reduzido.
Para alguns analistas, as remessas de lucros feitas na primeira metade do governo Lula refletem o que aconteceu no segundo governo FHC, quando, puxados pelas privatizações, os investimentos estrangeiros totalizaram US$ 100 bilhões. Ou seja, agora que esses investimentos bilionários estão dando retorno, o envio de lucros para fora do país aumenta.
“As remessas cresceram porque o estoque de investimentos estrangeiros também está aumentando. Além disso, a rentabilidade das empresas cresceu muito nos últimos anos, porque a economia voltou a crescer”, afirma o economista Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP.
Segundo ele, o volume de recursos enviado por multinacionais não chega a preocupar no curto prazo, porque por enquanto “a balança comercial compensa”. Para o futuro, o economista defende a adoção de políticas que atraiam investimentos para setores mais avançados e dinâmicos da economia. Assim, as remessas de lucros seriam um preço justo a se pagar pela criação de empregos e pelo aumento de produtividade da economia.
O BC não possui dados históricos sobre os setores que mais enviam lucros para fora do país, mas os números de 2006 ajudam a ilustrar um pouco esse quadro. No ano passado, os bancos foram os que mais remeteram recursos para seus sócios estrangeiros: US$ 1,404 bilhão, o que representou 10,11% dos US$ 13,883 bilhões remetidos ao exterior. Foram seguidos de perto pelas empresas de energia e gás (US$ 1,378 bilhão) e pelas montadoras de automóveis (US$ 1,318 bilhão).
São três setores que vivem um bom momento em suas operações no Brasil. “De modo algum é um movimento de saída dos investimentos. Pelo contrário, o que vemos é a consolidação dos empreendimentos no Brasil”, avalia o diretor-executivo da Amcham-SP (Câmara Americana de Comércio), Arthur Vasconcellos.
Ele também cita a possibilidade de o bom resultado das subsidiárias nacionais ser usado para cobrir prejuízos das matrizes. “Como as unidades brasileiras têm apresentado bons resultados, com geração de caixa forte, o dinheiro pode sair para equilibrar as contas dessas companhias.”
Lucratividade à parte, a queda do dólar é outro fator que tem impulsionado o envio de lucros para o exterior. Para o presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização), Luis Afonso Lima, o aumento das remessas mostra uma “janela de oportunidade cambial”. “Há uma sensação de que o real vai passar por um processo gradual de desvalorização. Mandar os recursos agora, portanto, é mais vantajoso em dólar”, diz.
Ou seja, com a valorização do câmbio, um mesmo lucro em reais pode ser convertido para um volume maior de dólares, tornando mais vantajoso o envio de recursos a outros países.
Até agosto deste ano, US$ 11,3 bilhões já deixaram o Brasil dessa forma, 31% a mais do que no mesmo período de 2006. Por outro lado, esse movimento foi compensado pela recuperação mais forte dos investimentos: no período, o ingresso de capital externo chegou a US$ 26,5 bilhões, alta de 161%.

A matéria é da Folha de São Paulo (aqui), com dados do Banco Central.

Golpe da CPMF

O jornal Valor Econômico publicou este editorial ontem. Traduz perfeitamente o golpe que a corja de boçais (os PTralhas, claro!) está ensaiando.

A arrecadação previdenciária e tributária federal bateu, em abril, novo recorde. Trata-se de um fenômeno que vem se repetindo mês a mês desde que a economia começou a crescer de forma acelerada. No resultado acumulado do ano, o governo recolheu da sociedade R$ 214,4 bilhões em tributos e impostos, o equivalente a quase 9% Produto Interno Bruto.
Em termos reais (descontada a inflação do período), a arrecadação de janeiro a abril avançou impressionantes 12,09%, mais que o dobro da taxa de crescimento anual do PIB neste momento. Comparando o resultado com o do mesmo período de 2007, verifica-se que a arrecadação extra foi de R$ 23,1 bilhões. Por outro lado, consideradas as receitas não-tributárias (royalties, por exemplo), o ganho foi maior: R$ 24,9 bilhões.

Os números mostram que o fim da CPMF, em dezembro, não está fazendo falta alguma ao orçamento público. No primeiro quadrimestre do ano, o governo arrecadou, em recursos adicionais, quase 60% do que a CPMF recolheria em 12 meses. Se a contribuição estivesse em vigor, a mordida do Leão no bolso dos contribuintes teria sido, portanto, ainda maior do que já foi.
Em janeiro, depois de o Senado rejeitar a proposta de prorrogação da CPMF, o governo aumentou as alíquotas do IOF e da CSLL paga pelos bancos. No primeiro caso, a decisão entrou em vigor imediatamente. No segundo, dada a regra da noventena, o aumento só se tornou efetivo em abril, mas baterá no caixa da Receita Federal apenas em maio. Mesmo assim, os dois tributos contribuíram, já descontado o efeito da inflação no período, com R$ 6,5 bilhões para o ganho da arrecadação entre janeiro e abril, pouco mais do que a CPMF arrecadou nos primeiros quatro meses de 2007.
O recolhimento da CSLL, ainda sem o incremento de alíquota, cresceu 22,3% em termos reais até abril. Não é exagero, portanto, esperar que a arrecadação desse tributo, combinada com o IOF turbinado, compense em grande parte a perda da CPMF.

O fato é que, por causa do caráter pró-cíclico do regime tributário brasileiro, o governo central está nadando em dinheiro. Ao anunciar a arrecadação, a Receita Federal informou que, além dos recentes aumentos de imposto, a maior lucratividade das empresas, o crescimento geral das vendas (14,8% de janeiro a abril, segundo o IBGE), o aumento da massa salarial (14,56%) e a explosão do comércio de veículos no mercado interno (31,9%) foram os fatores que mais impulsionaram as receitas oficiais.
É importante registrar que a máquina arrecadadora federal está aumentando a eficiência na cobrança dos tributos. Entre janeiro e abril, a Receita arrecadou, a título de multa e juros, R$ 5 bilhões, 49,8% acima do que havia recolhido no mesmo período do ano passado. Recolheu mais também – 12,3% – por meio de depósitos administrativos e judiciais, o que mostra que o Fisco está apertando o cerco aos sonegadores e contribuintes inadimplentes, o que é positivo.

Tudo isso mostra, portanto, que é uma insensatez a base aliada do governo no Congresso planejar a ressurreição da CPMF. Na verdade, embora lideranças do PT tenham tomado a frente na defesa da infame proposta, sabe-se que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apóiam a idéia nos bastidores. Mantega se sentiu pessoalmente derrotado quando o Senado não autorizou a continuação da CPMF. O ministro chegou a defender abertamente a recriação do tributo, inclusive por meio de medida provisória, o que é ilegal, e agora voltou à carga.
A justificativa, segundo a qual o governo precisará de recursos adicionais para bancar a elevação de gastos com a saúde determinada pela emenda 29, carece de qualquer fundamento, como revelam os números da Receita Federal. Dinheiro não falta.
Não faz duas semanas desde que o ministro Guido Mantega anunciou à nação que criará um “cofrinho” – um fundo de riqueza soberano – para depositar excedentes de arrecadação, uma vez que o governo está obtendo superávit primário nas contas públicas superior à meta oficial de 3,8% do PIB. Diante disso, falar em recriar a CPMF é uma brincadeira de mau gosto, um despropósito grave.

Conversão ou falta de opção ?

O senador Arthut Virgílio (de quem eu não gosto, registre-se) publicou na Folha um artigo tratando de um texto do Aloizio Mercadante (de quem quero ver a morte lenta e agonizante, conquanto efetiva) em que este exaltava “êxitos” da política econômica lullista.

O texto original, do Merda-andante, é um lixo; um primor de porcarias:

DIZIAM QUE SUA candidatura era a culpada pela crise que havia tomado conta do país. Diziam também que, caso fosse eleito, ele arruinaria a combalida economia nacional e implantaria uma política externa “terceiro-mundista”, que isolaria o Brasil no cenário internacional. Afirmavam que ele faria o país regredir décadas. Não faltaram figuras conhecidas que emprestaram rostos compungidos ao medo do desastre anunciado.
Para surpresa dos amedrontados e, talvez, decepção dos derrotados, o governo Lula não fez nada disso. Pelo contrário: avaliações objetivas demonstram que o governo Lula é o mais bem-sucedido governo brasileiro da história recente. Afinal, é o único que vem conseguindo combinar plena vigência das instituições democráticas, crescimento econômico sustentado com estabilidade macroeconômica e distribuição de renda.
A inflação, que estava saindo de controle antes da posse de Lula, foi definitivamente domada e, nos últimos dois anos, ficou abaixo da meta estipulada pelo Banco Central (4,5%). Tal estabilidade monetária tem amplo impacto positivo na renda dos trabalhadores e se traduz em melhoria da qualidade de vida. Trata-se de grande conquista da sociedade brasileira, que o atual governo teve o mérito de consolidar.
É verdade que essa estabilidade foi construída a partir do Plano Real, mas foi no governo Lula que ela efetivamente se consolidou, graças à drástica redução da vulnerabilidade externa da economia. Mediante um processo muito bem conduzido por nossa diplomacia, saímos de déficits vultosos para superávits avantajados, que geraram, junto à enxurrada de novos investimentos estrangeiros, as reservas que nos permitem, pela primeira vez na história, pagar a dívida externa. O enterro desse velho fantasma não foi mera conseqüência de conjuntura internacional favorável, mas também resultado de estratégia inteligente que colocou ênfase na conquista de novos mercados.
Por isso, o crescimento das exportações brasileiras no período 2003/ 2006 (128%) foi bem maior do que o crescimento das exportações mundiais (86%). Assim, o governo soube aproveitar, com competência, a conjuntura favorável.
E, no plano diplomático, basta ler os principais jornais internacionais para constatar que o Brasil tem hoje protagonismo mundial muito superior ao que tinha há alguns anos. Temos, evidentemente, o desafio de lidar com a excessiva valorização do real, embora tenhamos consistência nas contas externas.
Além de ter consolidado a estabilidade monetária e superado a vulnerabilidade externa, o governo Lula também vem obtendo êxito no controle da dívida interna. Com efeito, a relação dívida interna/PIB caiu de 59,2%, em 2002, para 42,8%, em 2007.
O resultado dessas ações é o crescimento econômico sustentado dos últimos quatro anos, baseado no novo dinamismo do mercado interno, que em 2007 alcançou a marca de 5,4%. Trata-se de crescimento de natureza diferente à do “vôo da galinha”, que tantas vezes iludiu as nossas esperanças. Para um país que não crescia há duas décadas, é excelente resultado, especialmente na atual conjuntura internacional. Precisamos, entretanto, superar os gargalos da infra-estrutura, que colocam entraves ao novo ciclo de desenvolvimento.
Contudo, o diferencial do governo Lula não se refere às dívidas externa e interna, mas sim ao pagamento de débito historicamente negligenciado: a dívida social. O programa Bolsa Família, internacionalmente elogiado e copiado, já beneficiou 11 milhões de famílias, permitindo-lhes manter seus filhos na escola e comprar bens de consumo antes inalcançáveis, até mesmo eletrodomésticos. A política de recuperação do salário mínimo faz que ele já atinja o valor de R$ 415. A combinação dos programas sociais com o crescimento sustentado fez explodir a geração de empregos formais, que alcançou a impressionante marca de 8,2 milhões ao longo do governo, e a renda dos 50% mais pobres da população, que experimentou ritmo de crescimento chinês: 32%. Já deixaram a miséria para trás 17 milhões de brasileiros.
Estamos em um raro período histórico que combina o crescimento do bolo com sua distribuição. E o social emerge, de forma inédita, como eixo estruturante do crescimento econômico. Por fim, a ONU já nos incluiu na lista dos países de nível alto de desenvolvimento humano, ainda que tenhamos grandes desafios à frente.
Dessa forma, os que diziam têm pouco a dizer. Perderam o discurso e, em alguns casos, até a compostura.
No Congresso, parte da oposição dedica-se à obstrução sistemática, com a expectativa de recompensas eleitorais que dificilmente virão por esse caminho. Poderíamos votar projetos como a reforma tributária, substanciais para consolidar esse novo ciclo de crescimento com distribuição de renda. Algumas vozes, contudo, preferem gritar o vácuo da intolerância e do preconceito contra o torneiro-mecânico que fez o que não conseguiram fazer. Enquanto isso, o governo Lula realiza, e o país melhora. Muito.

O do Arthur Virgílio, ainda que fraco, é engraçadinho:

SAÚDO A conversão do senador Aloizio Mercadante à política econômica que tanto combateu desde os tempos do governo Fernando Henrique e continuou combatendo ao longo de todo o primeiro mandato do presidente Lula.
Mercadante e o PT condenaram o Plano Real -portanto, foram contra a estabilização da moeda e o estancamento da avassaladora inflação que corroia os salários dos trabalhadores. Contra as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Fundef, enfim, tudo aquilo que punha ordem na economia, nas finanças e na administração do país.
O senador e boa parte do seu partido mantiveram-se nessa posição mesmo depois que Lula acordou para a realidade e rompeu com os compromissos de toda uma vida. Antonio Palocci, na Fazenda, e Henrique Meirelles, na presidência do Banco Central, foram o sinal de lucidez do governo que se iniciava em 2003. Eles se incumbiram de segurar o leme, enfrentando setores petistas que queriam ver o barco em outra direção.
O país é testemunha dos embates travados no Senado, curiosamente com sinais trocados: a política de Palocci e Meirelles era combatida por Mercadante e defendida por mim e pelo PSDB. Eles tinham até um certo “Plano B” para a economia.
Agora vem Mercadante, de bandeira branca, saudando o êxito da política que condenara, lamentavelmente brandindo inverdades e distorcendo fatos (“Diziam”, “Tendências/Debates”, 16/3).
Afinal, as dificuldades enfrentadas por Fernando Henrique em seu último ano tinham nome: Lula. Dada a posição “histórica” dele e do seu partido, não eram infundados os receios manifestados por tanta gente. Foi isso que fez a cotação do dólar disparar, os investimentos escassearem e a inflação ameaçar sair dos trilhos. Quando Lula colocou Palocci na
Fazenda e Meirelles no Banco Central, garantindo que não haveria retrocesso nas conquistas de governos anteriores, o panorama econômico do país se acalmou e as águas revoltas voltaram ao leito normal.
A estabilidade econômica e o controle da inflação não se deveram, assim, a uma ação positiva, mas de negação do governo Lula: ele não fez o que se temia. Manteve as linhas básicas da política econômica que herdara do seu antecessor.
O governo Lula recebeu um país organizado, com as dívidas dos Estados sob o controle da União; a dívida externa equacionada; uma Lei de Responsabilidade Fiscal, que limitava gastos de Estados e municípios; uma máquina estatal mais leve e ágil -graças à privatização de estatais que entravavam o desenvolvimento nacional. E se beneficiou da conjuntura econômica internacional, que, unida aos demais fatores, lhe tem propiciado colher certos frutos.
Nem tudo, porém, são flores. E sobre isso o senador silencia.
O governo Lula merece críticas por não ter avançado na modernização do Estado brasileiro. Até andou para trás. Não fez as tão necessárias reformas tributárias e políticas; pôs de joelhos as agências reguladoras e as politizou; inflou e aparelhou o governo, com 38 ministros e 20 mil cargos comissionados; e tirou o foco dos programas sociais da gestão anterior.
Naquela, o Vale-Gás, o Auxílio Maternidade e o Bolsa Escola tinham por fim amparar as populações mais pobres, porém lhes apontando o caminho (a educação e o trabalho) para uma vida digna. Ora, o Bolsa Família registra altos índices de evasão escolar entre os filhos dos seus beneficiários. E não precisamos nem falar de segurança pública e saúde.
Na política externa, Lula ficou marcando passo, cortejando até ditadores africanos em busca de apoio, sem êxito, para uma cadeira permanente num Conselho de Segurança esvaziado de uma ONU que está virando Liga das Nações. Fracassou em suas indicações para a presidência da OMC e uma diretoria do BID. Não compareceu à reunião da OEA sobre a crise Venezuela-Equador-Colômbia, no mesmo passo em que seu governo não cumpriu o dever de declarar terroristas os traficantes das Farc.
Pior foi não ter sabido aproveitar o cenário econômico mundial tão favorável. No continente americano, o crescimento brasileiro, entre 2003/ 2005, só não perdeu para o Haiti.
Nem é preciso fazer comparação com Índia, China e Rússia.
Não se ponha nada disso à conta da oposição, que nunca deixou de aprovar nada do real interesse do país. Enfim, Mercadante rendeu-se.
Com quase seis anos de atraso!

Redução de pobreza e pobreza de argumento

O artigo abaixo foi publicado em 2006, e eu “desenterrei” do arquivo de mensagens. Vale a leitura.

Recentemente, o pesquisador da FGV/CPS Marcelo Néri e sua equipe divulgaram na mídia novos resultados da queda da miséria. Em seu estudo, ele faz comparações entre as variações percentuais dos percentuais de miseráveis observados nos primeiros três anos do governo FHC e do governo Lula. É necessário chamar a atenção que, quando nos referimos a percentual de pessoas miseráveis, estamos falando da parte de número de pessoas que estão abaixo da linha de miséria (não têm dinheiro para comer um certo mínimo necessário) comparativamente ao total da população.

Se esse percentual diminui, diminui o número de miseráveis. E para saber quantos deixaram de ser miseráveis, basta diminuir o número de miseráveis de um ano para outro. Alternativamente podemos diminuir o percentual de um ano do percentual de outro ano, e encontramos os pontos de percentagens dessa redução, que pode ser traduzida em número de pessoas que saíram da miséria. Falar em variação percentual destes percentuais não tem sentido.

Fiquei me perguntando por que esse ERRO. Fiz algumas contas e constatei que se o estudo falasse em redução de pontos de percentagem, a redução da miséria continuaria sendo maior no Plano Real. Ou seja, em pontos de percentagem, o diferencial é maior para FHC (28,79% 35,31%= -6,52 pontos de percentagem) do que para Lula (22,77% 28,17%= -5,4 pontos de percentagem).
Quando erradamente se comparam os pontos de percentagem de FHC com o seu percentual inicial de pobres (6,52/35,31), a redução percentual de FHC fica em -18,5%, valor inferior à redução observada para Lula (-5,4/28,17= -19,2%). Mas, o que é relevante, e o que interessa de fato, é que o número de miseráveis não se reduziu em 18,5 e em 19,2%, mas sim em 6,52 e 5,4 pontos de percentagem nos três primeiros anos de FHC e Lula, respectivamente.

Estranhamente, os números absolutos de miseráveis não estão divulgados no estudo da FGV, o que elucidaria a questão sem contemplação.

À sua falta, usando os dados elaborados por Sônia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, que usa a linha de miseráveis oficial, a redução de indigentes (miseráveis) teria sido no período FHC de 7,5 milhões de pessoas, enquanto no período Lula, de apenas 2,650 milhões. Isso é o que importa: número absoluto de redução de indigentes.

Continuando a observação do referido gráfico, atentei para outro erro: o autor identifica o início da série de Lula em 2003 (28,17% de miseráveis). Mas quando Lula assumiu o governo em janeiro de 2003, o número de miseráveis era de fato 26,72% (que herdou de FHC). Logo, não é justo computar como seu (de Lula) o mérito de reduzir a própria miséria que criou. Se a comparação for feita corretamente (22,77% em 2005 contra os 26,72% que herdou de FHC), o sucesso de Lula, medido em pontos de percentagem, cai para 3,95 pontos de percentagem e não os acima mencionados 5,4. Ou seja, o êxito de FHC foi reduzir a miséria em três anos em 6,52 pontos de percentagem contra os 3,95 pontos de percentagem de Lula.
Ou seja, o número de miseráveis que deixaram de sê-lo no período FHC foi 65% superior ao número de Lula.

O trabalho completo da equipe da FGV contém ainda muitos outros resultados interessantes: mostra que o sucesso de FHC em reduzir a miséria é maior do que o de Lula em qualquer que seja a comparação (misérias rural, urbana e metropolitana). Mostra ainda um resultado pouco explorado que usa a metodologia de Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia, para medir o índice de bem-estar. Novamente o sucesso de FHC é bem superior ao de Lula. No mesmo período anteriormente utilizado, durante os três primeiros anos do governo FHC o índice de bem-estar aumentou em 35,96, enquanto durante os três primeiros anos de Lula, apenas 15,2. Ou seja, o sucesso de FHC em termos de bem-estar foi mais do que o dobro do sucesso de Lula.

É interessante que examinemos as causas do sucesso de um e de outro. O sucesso de FHC se deve ao fato de que ele estabilizou a economia matando o dragão da inflação, o maior responsável pela deterioração da renda dos mais pobres. Mas não ficou nisso; passado o primeiro momento de ajuste das contas públicas, criou vários programas sociais que elevaram bastante as transferências de renda para os mais pobres: Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), Bolsa Escola Federal, Bolsa Alimentação, Saúde da Família, e aumento do número de assistidos no tratamento da Aids.

O que fez Lula: tentou criar o programa Fome Zero e o Primeiro Emprego. O fracasso de suas duas únicas iniciativas é público e notório. Frente a isso, Lula deu prosseguimento aos programas sociais de FHC, unificando-os sob o título de Bolsa Família e ampliando o número de cadastrados (o que havia sido iniciado por FHC e estava sendo continuado e continuou com Lula). No âmbito econômico continuou com a política de FHC de manutenção da estabilidade da moeda e de responsabilidade fiscal.

Insistindo, tudo que Lula fez foi dar continuidade à política econômica e social de FHC. Ainda bem. Se fizesse o que anunciava e o que os petistas pregavam, o Brasil estaria quebrado e a miséria aumentada. Diferentemente do que diz Lula, nada do que está aí foi por ele criado. É apenas apropriação indevida. Precisamos agora de nova onda de criatividade para crescer, distribuir renda e reduzir a miséria, e a equipe de Lula está longe de ter competência para isso.

CLÁUDIO MONTEIRO CONSIDERA é professor de economia da UFF.

É uma surpresa ESTARRECEDORA descobrir que alguém do PT esteja mentindo……..

IncomPTência emPACada

A incomPTência dessa corja de boçais do PT só não é maior por falta de tempo. Mas o terceiro mandato do Rei Lulla já está a caminho – portanto, isso deve mudar.

Neste meio tempo, pelo menos, podemos observar que a Ministra Dilma Rousseff (cotada para concorrer à Presidência depois que Rei Lulla se cansar de viajar pelo mundo, beber whisky importado e falar bobagens em rede nacional) não anda muito atenta ao tal do PAC: Faltando cerca de dois meses para acabar o ano, o ritmo de execução do carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, que promete R$ 503,9 bilhões em investimentos até 2010, ainda está longe do ideal. Dos R$ 15,2 bilhões autorizados para serem gastos este ano com as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), apenas R$ 4,4 bilhões foram efetivamente aplicados – incluindo o pagamento de ações iniciadas no ano passado – o que equivale a uma execução inferior a 30%.

As informações são do site Contas Abertas. A matéria, na íntegra, está aqui.

Enquanto o PAC segue emPACado, a PTzada continua falando bobagem…… (qual a novidade disso ???)

Esta nota foi publicada no site do próprio PT: O Brasil reduziu a miséria pela metade nos últimos cinco anos graças a impostos como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A afirmação é do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), em entrevista hoje (7) à Rádio Nacional. A íntegra da nota está aqui.

O que me chamou a atenção nessa “nota” é que a CPMF só começou a reduzir a miséria nos últimos 5 anos ??????? Quando Rei Lulla e sua corja de boçais criticavam a CPMF (já tratei disso, aqui) ela não tinha este “efeito milagroso” ?????

Mas não é só isso…..claro !

Este texto trata da Economia brasileira. Vou primeiro transcrevê-lo parcialmente, depois explico e comento:

A vulnerabilidade externa da nossa economia pode ser constatada a partir da evolução de alguns indicadores: o déficit em conta corrente quase nulo de 1993 aumentou para algo entre 4% e 5% do PIB nos últimos anos, a dívida externa total subiu de 22,6% do PIB em 1995 para 39,7% do PIB em 2000 e a taxa de câmbio esteve sempre sujeita a pressões especulativas e a variações bruscas.
No plano das contas públicas o resultado é igualmente desastroso. A taxa de juros, além da grande oscilação nos períodos de maior incerteza, mantém-se extremamente elevada em função da fragilidade da situação externa e do contínuo aumento da dívida do setor público, em grande parte puxado pela própria taxa de juros e pela variação cambial. Desde 1999, a partir do acordo com o FMI (do final de 1998), têm sido gerados enormes superávits fiscais (com sacrifício de gastos sociais e de investimentos), utilizados como contrapeso aos equívocos das políticas cambial e monetária.

O sistema tributário, por sua vez, assenta-se em base restrita e visa unicamente à arrecadação a qualquer custo, empregando-se, principalmente, os tributos cumulativos, prejudiciais à atividade econômica e à competitividade externa. A regressividade é outra marca do sistema, com ênfase nos impostos indiretos e pouca diferenciação por faixa de renda e de riqueza nos impostos diretos  agravando a concentração de renda. De forma geral, portanto, o ambiente criado pela política econômica seguida nos últimos anos é desfavorável à realização de investimentos produtivos.

Por incrível que pareça, este texto não foi redigido por tucanos, visando a criticar a política econômica adotada no (des)governo PTista. Este texto foi produzido pela assessoria técnica do PT, em Fevereiro de 2003 (íntegra disponível aqui). Foi, portanto, 2 meses após o término do segundo mandato do FHC.

O objetivo, claro, era criticar a política econômica do período FHC.

Pena que lido hoje, em 2007, tudo o que foi criticado pelo PT no mandato FHC acabou sendo praticado pelo PT, no período Lulla.

QUANDO É QUE A POPULAÇÃO BRASILEIRA VAI PARAR DE ENGOLIR AS MERDAS DO PT E DE SEUS ASSECLAS, HEIN ?!