2007: aproximação com o inimigo

Ainda na série de retrospectivas de 2007, uma das mais chamativas foi a aproximação entre inimigos.

O que quero dizer com isso ?!

Simples: o PT aproximou-se, ainda mais, de seus inimigos históricos.

O PT era aquele partido que notabilizou-se e sempre pautou-se pela OPOSIÇÃO. Eles sempre opunham-se a tudo.

Plano Real ? Oposição.
Lei de Responsabilidade Fiscal ?
Oposição.
Privatizações ?
Oposição.
Pagamento de juros ou da dívida externa ?
Oposição.
Abertura de mercados brasileiros para o comércio internacional ?
Oposição.
Imperialismo americano ?
Oposição.
Transgênicos ?
Oposição.
Superávit ?
Oposição.
Compra de votos ?
Oposição.

Não obstante, o que se tem visto, desde 2003, é o oposto disso. As diretrizes básicas da política fiscal e econômica (superávit, valorização da moeda, pagamento de juros, responsabilidade fiscal) foram mantidas EXATAMENTE como desenhadas por FHC, Malan, Fraga e outros “tucanos”.

As privatizações que o PT atacava anteriormente não foram apenas realizadas (aqui), mas exaltadas por pessoas que antes opunham-se ao liberalismo – inclusive Rei Mulla, que daqui a pouco vai dizer que foi ele quem privatizou o sistema de telefonia e a Vale, devido ao sucesso destas realizações de FHC. Rei Mulla, aliás, já andou enaltecendo a Embraer (relembrando: privatizada por FHC)….Falta pouco para dizer que foi ele quem transformou a Embraer numa empresa mundialmente competitiva….

Em vista disso, não me resta outra opção senão relembrar os spots criados para a campanha institucional do PSDB em 2007 – que, de resto, tem alguns exageros (como qualquer propaganda política, aliás), mas conseguiu finalmente ter a coragem de começar a mostrar a tônica do mandato Lulla:

O mesmo se repete em relação aos transgênicos (o PT sempre apoiou e defendeu o MST quando este invadia plantações de transgênicos ou empresas que pesquisavam novas combinações genéticas), à compra de votos (quando FHC foi acusado de comprar votos para sua reeleição, o PT exigiu impeachment !!!!) ou mensalão etc etc etc…..

Politicamente, tivemos o emblemático caso do Renan Calheiros – que sempre apoiou o governo, QUALQUER QUE FOSSE O GOVERNO, desde Collor a Lulla, passando por Itamar e FHC. Vimos, em 2007, Lulla e o PT mobilizando-se copiosamente para salvar o ex-presidente do Senado.

Não podemos esquecer, ainda, da palhaçada da TV pública e da TV Digital (ver aqui)….

Vimos, finalmente, o PT defendendo a CPMF – tratei desse ponto diversas vezes, como é possível ver aqui. Destaco, em particular, este post, que mostra de maneira clara e cristalina a total mudança de “convicção” do PT.

Em suma, 2007 foi MAIS um ano em que o PT e o governo (?!) do PT adotaram as mesmas práticas que passaram 20 anos criticando. Uma a uma, acabaram não apenas adotando, mas por vezes exagerando….

Cada vez mais, tenho a certeza de que defender o PT, hoje, é sinal de ignorância extrema ou má-fé descarada. Senão de ambos.

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Senado: mais PaTéticos infestando a pocilga

O Congresso Nacional, no geral, já pode ser chamado de pocilga – sem querer ofender os porcos. Mas o (ótimo) blog “Navalha Infame” estampou uma imagem que…..NÃO TEM PREÇO. Veja aqui.

O PT se faz representar MUITO bem na pocilga, não ?! Impressionante………

A ficção e o Senador ridículo

O Estado de São Paulo, a despeito de ser o mais rico do país, é representado no Congresso por apenas 3 Senadores: Aloizio Mercadante, Romeu Tuma e Eduardo Suplicy.

Honestamente, não posso pensar numa representatividade de pior qualidade.

Mas o Senador Eduardo Suplicy extrapola todos os parâmetros de civilidade. Na verdade, não apenas “beira” o ridículo – ele ultrapassa todos os limites do ridículo. Não apenas por celebrizar-se por interpretações patéticas de uma música clássica (“Blowing in the wind”, de Bob Dylan), ou pelo comportamento debilóide que demonstra publicamente (o vídeo disponível no YouTube, de uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça no Senado, na qual ele “interpreta” uma música (?) do grupo Racionais MC´s).

Para quem, como eu, já teve a oportunidade de vê-lo pessoalmente, numa palestra ou qualquer coisa do gênero (no meu caso, foi uma aula, na FGV, e uma palestra, há alguns anos), contudo, fica a impressão de que este senhor não tem pleno controle sobre suas faculdades mentais. Divagações, frases loooooongas e confusas, entremeadas por pausas irritantes, fala arrastada…… Me parecem muito mais efeito de alguma doença ou  coisa semelhante.

Como se não bastasse, as análises (?) e declarações públicas deste coitado o fazem parecer ainda mais patético do que sua natureza já estipula: O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) criticou hoje o último capítulo da novela “Paraíso Tropical”, da Globo, em que a prostituta Bebel (Camila Pitanga) é interrogada em um fictícia CPI dos Biocombustíveis pela sua relação extraconjugal com um senador. Suplicy disse que a cena deve causar “preocupação” aos senadores, já que a imagem do Conselho de Ética saiu arranhada na novela –apesar da cena ter mencionado uma suposta CPI. “O fato dos diretores da novela terem trazido o Conselho de Ética e a maneira como foi ali retratado deve nos causar preocupação”, disse. A íntegra, na Folha On-Line, está aqui.

Ora, uma declaração dessas……..Coisa típica deste abestalhado patético.

Ao invés de reclamar de uma obra de ficção (ou não) que faz uma crítica a uma situação degradante, que todo brasileiro tem visto nos últimos anos, que tal se o ilustre Senador e seus pares trabalhassem para que nunca mais seja preciso ver uma cena dessa natureza – nem na ficção, nem na vida real ?

A vida imita a arte, ou a arte imita a vida ?

Longe de mim classificar uma novela como “arte”, mas o princípio é o mesmo: se o Senado (e todos os Senadores, por extensão) não promovesse fatos grotescos, surreais, como este caso do Senador Renan Calheiros, tenho certeza de que nenhuma novela, livro, filme ou coisa que o valha retrataria o Congresso desta ou daquela forma. Caso o Senado tivesse um comportamento minimamente ético, republicano, as coisas seriam tão diferentes…….

Mas retomando ao Senador ridículo:  não foi este mesmo Senador que participou de uma novela (da mesma Rede Globo), acampando junto com um bando de “sem-terra” ? Ora, um Senador que apóia publicamente uma organização criminosa como o MST, em diversas oportunidades, não deveria causar preocupação ? Isso não arranha a imagem do Senado ?

Santo Senador ridículo, Batman !!!!!!!

Dedução ou Indução ?

Esta carta foi publicada na Revista da Folha de ontem (30/09/2007), na seção “Barbara responde”. Reproduzo, porque achei impagável:

“Lula afirma que a decisão do Senado de inocentar Renan Calheiros é inquestionável. Já o companheiro Zé Dirceu, segundo Lula, é um injustiçado, apesar de caçado pela Câmara, acusado pelo procurador-geral da República e denunciado pelo STF. Será que Lula pensa que somos todos petistas ou idiotas, muito embora ressalve-se que nem todo idiota é petista?”
Red Nose

A despeito da seção abrigar perguntas por vezes toscas, o tom, no geral, é o humor. Neste caso, em particular, o humor serve perfeitamente à crítica embasada e singela.

Afinal, Rei Lulla já disse que a decisão do Senado, de absolver Renan Calheiros, deveria ser respeitada. Obviamente, usou esse subterfúgio, do pseudo respeito à “instituição” Senado, para esquivar-se de admitir a ajuda do PT à absolvição do Presidente do Senado.
Mas na entrevista ao New York Times, semana passada, e noutras oportunidades, já defendeu o seu Primeiro-Ministro, José Dirceu – mesmo ele tendo sido cassado pelo mesmo Senado, denunciado pelo Procurador Geral da República, e tendo a denúncia sido acatada pelo STF.

Dois pesos e duas medidas. Coisa típica dos hipócritas do PT.

Ali Babá – o chefão

Essa serve para lembrar da fábula de Ali Babá e os 40 ladrões………

Coincidência ou não, foram 40 denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, corrupção e peculato…… Sem falar nos 40 Senadores que votaram contrariamente à cassação de Renan Calheiros (mais 6 bastardos que abstiveram-se).

A Casa da Mãe Joana agradece……….

Realpolitik e a mídia golpista

Li um texto, na semana passada, de autoria de Marcos Augusto Gonçalves.Confesso minha ignorância: nunca ouvira falar dele. Numa rápida busca pelo Google, descubro que é Editor do caderno Ilustrada, da Folha de São Paulo – exatamente o caderno no qual li seu texto (na íntegra, aqui).

O texto é absolutamente impecável. Alguns trechos: O partido e o governo do ex-sindicalista têm vários de seus membros julgados por corrupção na corte suprema da referida república, graças a denúncias de um ex-aliado da direita, que também fora íntimo daquele presidente afastado por corrupção [em referência a Roberto Jefferson, apoiador de Fernando Collor]. Para tornar essa sinopse um pouco mais vulgar, surge na mídia a história de que o político provinciano do início do enredo, que ocupa a presidência do Senado, teve uma filha fora do casamento e enviava dinheiro à ex-amante por meio de um lobista de uma grande empreiteira.
Em meio a todo esse lixo, que alimenta o reality show, ou o realpolitik-show da vida pública brasileira, insinua-se entre alguns políticos e intelectuais “de esquerda” a tese de que tudo, no final das contas, é culpa da “mídia”, que não se conformaria com a eleição do ex-operário. Diga-se que os acusadores (e também o presidente) foram (e alguns ainda são) colunistas dessa mesma mídia -e a municiaram durante anos com denúncias contra políticos dos quais são hoje aliados.
Houve um tempo em que o PT fazia questão de se apresentar como paladino dos bons costumes republicanos e de se diferenciar daquilo que seus militantes chamavam de “política tradicional”.

(…) uma vez no poder, o PT se tornou uma máquina eleitoral conservadora, passando a se comportar como as siglas que antes condenava.

(…) Nossos narcisos lulo-petistas não gostam de ver nas páginas dos jornais escândalos semelhantes àqueles que aconteceram em governos anteriores. A grande competição, na realidade, é com a gestão de Fernando Henrique Cardoso, cuja superação os lulistas têm como ponto de honra. Mas, nessa competição de mediocridades, ambos, petistas e tucanos, mais parecem ser faces de uma mesma moeda -a da hegemonia política paulista no Brasil pós-ditadura militar.
Se FHC engatou o Brasil tardiamente no processo de estabilização das economias periféricas, Lula o vai engatando, também tardiamente, no ciclo de crescimento global. Tudo em ritmo lento. Filme de arte.
Alguém dirá que o governo do príncipe da moeda foi mais “republicano”. Mas ao lembrarmos que FHC criou uma reeleição para si próprio, recorrendo ao jogo pesado, como divulgou a mídia (golpista?), essa suposta vantagem revela-se apenas mais uma quimera.

Volta à tona, novamente, o absurdo de culpar a “mídia golpista” por tudo. Contudo, o PT só culpa a mídia quando ela revela os seus podres – quando a Folha de São Paulo investigou e denunciou a compra de votos de deputados para aprovação da emenda da reeleição de FHC, o PT bateu palmas para o jornal. Quando a Veja denunciou Fernando Collor, estampando a entrevista bombástica de seu irmão Pedro Collor, novamente estava lá o PT (inclusive Lulla, Dirceu, Genoíno, Mercadante, Suplicy e demais asseclas) aplaudindo, elogiando a “mídia”…..

Não bastasse a incomPTência dessa corja do PT, o grau de hipocrisia deles é assustador.